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Quando acabará este filme?
Sexta-feira, Setembro 12, 2014

A Universidade de Verão da JSD, uma espécie de Festa do Pontal dos “pequeninos”, onde uns seniores dizem umas coisas a disputar o espaço televisivo com um tempo de antena suplementar e, francamente, suspeito dada a dimensão do que lá se passa, traz, todos os anos, algumas curiosidades tanto mais difundidas quanto maior é o disparate. Aquilo a que habitualmente os da especialidade chamam de “show off”, um palavrão cada vez mais em moda, é o que se pretende e, surgindo, é o que passa com mais frequência.

Este ano, a estrela da companhia foi a Senhora Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Num ar professoral, consta que “deu” uma aula de cerca de duas horas e explicou que, entre outras coisas, a abertura financeira proposta pelo Sr. Mário Draghi não deve ser gasta à toa em consumo desenfreado pelos portugueses – uns gastadores crónicos, como é sabido – e insistiu que o ensino superior tem mesmo de saber viver com menos recursos, depois dos sucessivos cortes orçamentais de que já foi vítima, socorrendo-se, entre outras “pérolas” retóricas desta pequena maravilha – sendo ele superior, o ensino, melhor apetrechado estará para saber fazer mais e melhor com menos recursos financeiros.

Tendo presente os escandalosos números da execução orçamental do segundo semestre deste ano – enorme descontrolo do lado da despesa, da responsabilidade direta ou indireta da senhora ministra que, no governo, deve ter olho na matéria e que, vendo mal ou não vendo de todo, obrigou à aprovação de um novo orçamento retificativo- questionou um jovem incauto do meio da plateia: -“Senhora Ministra, é mais difícil disciplinar os ministros, seus colegas no governo, nos gastos dos seus ministérios, ou educar os seus filhos na administração da sua mesada?” Respondeu a Ministra sorridente “Quando conheci os meus colegas ministros já eram todos crescidinhos, não tive oportunidade de os educar”.

Ora aí está o que é. Ter-lhe-á fugido a boca para a verdade! Estes senhores e estas senhoras, já agora, pensam mesmo que falam para os portugueses como se falassem para jovens imberbes a quem tratam como meninos em crescimento, propondo-se educá-los, se necessário com uns ralhetes ou puxões de orelhas. Enfim, quando acabará este filme?