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Qualidades da alegria de qualidade
Quarta-feira, Junho 8, 2016

É preciso alegrar a alegria, ou seja, importa dar qualidade à alegria. É que, no “supermercado” da vida, há muitos tipos de alegria: a genuína e as falsas imitações; a alegria amorosa e a do cinismo; a infra-alegria do prazer egoísta e a alegria da doação generosa; a sub-alegria da anedota brejeira ou indecorosa, que rebaixa a nossa condição humana, e a alegria da graça bem humorada ou da piada carinhosa; a folia superficial de carnaval e a alegria profunda que tem raízes em Deus-Amor festivo…

Cristo vem abrir horizontes rasgados de alegria, mesmo para os que vivem entre lágrimas, nalgum beco sem saída. Por isso, no seu discurso programático das bem-aventuranças, declara sem rodeios: «Felizes os que choram porque serão consolados (…). Felizes sereis quando vos insultarem e perseguirem (…). Exultai e alegrai-vos porque será grande nos céus a vossa recompensa» (Mt 5, 4.11-12). Deus responsabiliza-Se por ser fonte de alegria dos que se encontram nalgum “vale de lágrimas”, se se abrirem ao «Pai da misericórdias e Deus de toda a consolação, o qual nos consola em todas as nossas tribulações, a fim de podermos consolar, com a mesma consolação com que somos consolados, aqueles que estão atribulados» (2 Cor 1, 3-4).

Para viver na alegria, não é preciso ser-se uma pessoa cheia de sorte a quem a vida corre num mar de rosas. A alegria pode habitar num bairro de lata ou no casebre dum pobre e morar longe dos palácios dos ricos e das escolas dos sábios. A alegria pode nascer entre os espinhos e em terra árida. Por isso, S. Paulo exclama autobiograficamente: «Estou cheio de consolação, estou inundado de alegria, no meio de todas as nossas tribulações» (2 Cor 7, 4).

A alegria alegre não pode ser um favor concedido de fraca ou má vontade, como se não houvesse outro remédio. É que «Deus ama o que dá com alegria» (2 Cor 9, 7), não contrafeito, mas de boa vontade. Santo Agostinho diz isto com uma imagem que fala por si: «Se deres o pão com tristeza, perdes o pão e o mérito».

A vida eterna no céu vem retratada na Bíblia com imagens de banquete e festa, gozo sem fim, com cânticos e danças, num clima de alegria inexcedível… Porque não intensificar, desde já, os ensaios da festa eterna que para nós está reservada?

Padre