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Proprietários não se entendem quanto à utilização pública da Rua de Santo Ovídeo
Terça-feira, Agosto 9, 2016

Antigo caminho que servia a população do norte da freguesia de Caldelas caiu em desuso, embora continue a ser utilizado. Junta de Freguesia quer manter aquela passagem, mas alguns proprietários não estão de acordo.

Este foi um dos temas abordados na Assembleia de Freguesia de 6 Maio passado. Nessa altura, a Junta de Freguesia apresentou uma proposta na qual era defendida a utilização pública do caminho que liga a Rua do Penedo à Rua de S. Tomé e à Igreja Velha.

Um dos argumentos que fundamentava a proposta da Junta de Freguesia, era o facto de desde sempre haver memória de que aquele trilho era utilizado pela população da freguesia para, de forma mais rápida e curta chegarem à Igreja Velha ou para virem para o centro da vila. Naquela ocasião a proposta foi aprovada por maioria, com os votos da bancada da coligação JpG e da CDU e com a abstenção do PS.

Esta evidência, de que aquele trilho foi outrora um caminho de passagem regular, foi confirmada por vários moradores, tanto de Sorrego, como da Rua de S. Tomé. Algumas destas pessoas lembram-se que outros caminhos havia, que deixaram de ser usados tendo a natureza tomado conta deles, obstruindo-os com vegetação. Também a Rua de Santo Ovídeo, que ganhou este topónimo depois da decisão da comissão nomeada pela Junta de Freguesia para rever as designações das ruas da freguesia e cuja proposta foi aprovada em Assembleia de Freguesia, em Maio de 2008.

Os vários proprietários dos terrenos adjacentes ao dito caminho têm opiniões diferentes quanto ao atravessamento pelo caminho. Algumas pessoas verificam que, realmente, há muito menos pessoas a passar por ali, mas mesmo assim continua a ser utilizado por quem conhece.

A história do caminho e da contenda é longa e a origem estará na divisão da Quinta do Souto, numa altura em que a família procedeu a partilhas dos terrenos. Inicialmente, a Rua do Souto passava pelo meio da quinta. Com as partilhas, procurou-se uma nova solução.

Em meados dos anos 1990, a Rua da Lama foi alargada e nessa altura equacionou-se criar por ali um caminho de ligação à Igreja Velha, em alternativa ao que passava pela Quinta do Souto. Já nesta altura, os vários proprietários dos terrenos não terão chegado a acordo e a abertura da passagem ficou sem efeito, embora seja perceptível o local de onde partiria.

Recentemente, a Junta de Freguesia foi alertada para a obstrução do caminho e procedeu à uma intervenção de limpeza e remoção dos obstáculos, desimpedindo assim a passagem dos peões.

A Rua de Santo Ovídeo era muito utilizada no tempo em que a população se deslocava a pé e antes de haver outros caminhos alternativos. Hoje, quem por ali passa são pessoas que conhecem o caminho e que continuam a preferir a frescura dos campos. No entanto, dizem que de Inverno é mais difícil lá passar e de noite praticamente impossível, por não haver iluminação.

Para o presidente da Junta de Freguesia, Constantino Veiga, os proprietários não têm razões para impedir a passagem pela Rua de Santo Ovídeo, que sempre foi um caminho público e que deve ser defendido como tal, diz o autarca. No entanto, há quem se oponha a esta ideia, havendo inclusivamente um processo a decorrer em tribunal, envolvendo vários proprietários de terrenos.

Constantino Veiga explica que houve uma série de expectativas de construção para aqueles terrenos que sairam gorados no zonamento do novo P.D.M. Daí que os proprietários estejam descontentes e decidam fechar o caminho.

Dias depois da Assembleia de Freguesia de 6 de Maio, a placa de toponímia ainda se encontrava no local (a fotografia que ilustra este texto é de 12 de Maio) . Mas, durante a realização deste trabalho, a dita placa desapareceu em ambas as extremidades do caminho. Constantino Veiga diz que se tratou de vandalismo, mas o que parece certo é que há quem deseje que a Rua de Santo Ovídeo deixe mesmo de existir e passe à história, à semelhança de outros caminhos que existiam por estes campos.

Há quem defenda, em alternativa, que a Junta de Freguesia deveria arranjar a Rua da Igreja Velha que liga à variante. De facto, aqui o trilho é mais pronunciado e largo, mas não resolve a questão da ligação a Sorrego. Constantino Veiga diz que o arranjo desse caminho está nos planos da Junta de Freguesia, que planeia fazer a intervenção até ao final do mandato.

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Quarta-feira, Dezembro 5, 2007

José Gonçalves era um dos proprietários do bar de strip-tease “O Avião”, em Lisboa. O empresário foi vítima mortal de um atentado à bomba na madrugada do passado Domingo.

O empresário que no fim-de-semana passado foi morto, vítima de um atentado, foi hoje sepultado em Lisboa. José Gonçalves, um dos proprietários do bar “O Avião” localizado na segunda circular de Lisboa, na zona do aeroporto, era natural da freguesia de Brito, Guimarães.

José Gonçalves tinha 65 anos e viveu em Brito até à altura em que foi cumprir o Serviço Militar primeiro em Tavira e depois em Angola, onde se iniciou nos negócios de cinemas e teatros. Já em Portugal para onde foi obrigado a regressar após o 25 de Abril, tentou reiniciar-se no ramo tendo depois enveredado pelo “negócio da noite” no qual era proprietário de vários estabelecimentos.

Os contornos do crime são ainda pouco conhecidos, estando o caso a ser investigado pela Polícia Judiciária. O engenho que foi instalado no carro de José Gonçalves denota, segundo a polícia, alguma mestria técnica, já que a explosão causou maiores danos no lugar condutor que seria, ao que tudo indica, o alvo do atentado.

José Gonçalves trinha já sido alvo de várias agressões e era uma das testemunhas do caso “Passerelle”, que está a ser investigado pelo Ministério Público.

Texto: Paulo Dumas (com Jorge Silva)

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