Previsão da derrota
Segunda-feira, Janeiro 3, 2005

Quando esta edição do jornal chegar aos leitores terão passado alguns dias sobre o anúncio conjunto por parte do PSD e do CDS quanto ao modo como decidiram apresentar-se ao eleitorado: com um contrato-promessa de casamento. À medida que o tempo passe e as eleições se aproximem, o assunto ficará mais claro, com respostas para muitas das dúvidas de agora.

À luz da lógica e da racionalidade eleitoral, esta decisão causa perplexidade.

Como sabe quem está enfarinhado nestas coisas eleitorais, as alianças ou coligações contêm potencialidades e geram dinâmicas de efeitos contraditórios:

Por um lado, afastam os eleitores que resistem ao voto útil no parceiro de coligação;

Por outro lado, para o mesmo número de votos (ou até menos alguns votos) do que os obtidos por cada partido sozinho, a coligação pré-eleitoral dá mais mandatos, convertíveis em mais deputados.

No plano da lógica e da racionalidade eleitoral, só se entende que os partidos prefiram concorrer isolados em vez de coligados caso as perdas de votos resultantes desta opção se sobreponham aos ganhos, porque, como bem se sabe, o objectivo das eleições legislativas é o de obter mais mandatos do que os concorrentes, assegurando uma relação de forças positiva na assembleia da república, base de sustentação do governo.

Só por absurdo se pode admitir que PSD e CDS desconheçam tais virtualidades e que decidem contra a lógica e a racionalidade. Assim sendo, o fundamento para o acordo pós-eleitoral tem de ser de outra natureza.

Adianto uma: as resistências dos eleitorados próprios anulam os benefícios.

Consta que quem mais se opôs ao acordo pré-eleitoral foi Paulo Portas. Significativo. Ele está para Santana Lopes como o lavagante está para o safio. Disputam as mesmas águas e os mesmos rochedos. O lavagante alimenta o safio e quando o acha gordo, mata-o.