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Prevenção de quedas nos idosos
Terça-feira, Março 6, 2012

As quedas são muito comuns nos idosos e constituem um problema grave de Saúde Pública pelas consequências físicas, psicológicas e sociais que originam.

A maioria das quedas pode não ter consequências sérias, mas nos idosos, nos quais a capacidade de resposta está diminuída, são muitas vezes causa de lesões graves que levam à morte. Noutras ocorrem fracturas, lesões cerebrais ou outros traumatismos que não levam à morte, mas são causa de hospitalização, imobilização e limitação funcional importante, com perda de autonomia e diminuição da qualidade de vida.
Mesmo quando não é causa de lesão física importante, uma queda cria ansiedade e medo de cair novamente, o que provoca no idoso uma tendência a limitar as actividades físicas e sociais, o que leva ao isolamento e à depressão.

O risco de queda aumenta com o avançar da idade, sendo particularmente importante acima dos 75 anos de idade. A maior frequência de quedas nos idosos deve-se a várias alterações próprias do envelhecimento, tais como a perda de massa muscular, a diminuição da visão, audição e equilíbrio, e o aumento do tempo de reacção. Tais alterações resultam em instabilidade postural e maior tendência para a queda.

O idoso fica ainda mais susceptível à ocorrência de quedas se sofrer de uma ou várias doenças crónicas, tais como a diabetes, patologia osteoarticular, osteoporose, demência, depressão, alterações do ritmo cardíaco, vertigem, entre outras. A presença de múltiplas doenças leva também à necessidade de múltiplos medicamentos, os quais também podem levar a um maior risco de queda.

Também têm maior probabilidade de cair os idosos que vivem sozinhos, usam calçado e vestuário inadequado e que necessitam de bengala ou andarilho para caminhar. A estes factores acrescenta-se a falta de condições de segurança em casa e no jardim (iluminação insuficiente, tapetes soltos, escadas sem corrimão, pisos escorregadios ou irregulares, pavimentos degradados). De facto, nas pessoas com mais de 65 anos de idade, mais de 65% das quedas ocorrem no domicílio.

Portanto, para evitar as consequências de prováveis quedas e prolongar o número de anos com qualidade de vida na população idosa, torna-se importante a implementação de várias medidas de prevenção.

Destas, pequenos ajustes na casa e no estilo de vida assumem particular importância. Por vezes é necessária a ajuda de terceiros para que tal seja possível, com a família e a sociedade a assumir um papel crucial neste ponto.
No dia-a-dia, o idoso deve alimentar-se e hidratar-se correctamente; manter-se activo (se possível realizar exercícios dirigidos para melhorar a força muscular e o equilíbrio); ter a graduação das lentes dos óculos actualizada; e tomar a dose correcta da medicação habitual. É também importante usar sapatos bem adaptados ao pé, de preferência fechados; evitar os chinelos e os roupões compridos, nos quais tem maior tendência a tropeçar; não subir para bancos e cadeiras para alcançar as prateleiras mais altas; e criar o hábito de levantar-se de cadeiras e da cama devagar, de modo a evitar tonturas.

Sempre que possível deve ser melhorada a segurança no domicilio com medidas simples como manter uma boa iluminação em toda a casa e nas áreas exteriores que conduzam à entrada de casa; prender os fios eléctricos e de telefone à parede; retirar os tapetes do chão e das escadas, ou fixá-los ao chão; evitar encerar o chão para que este não fique escorregadio; fazer marcas visíveis no primeiro e no último degrau das escadas para que estes fiquem bem visíveis; e colocar um corrimão nas escadas interiores e exteriores. No quintal é importante manter as principais vias de acesso à casa com piso regular e sem obstáculos ou folhas húmidas acumuladas no chão.

O quarto e a casa de banho são outras áreas da casa em que é possível intervir de um modo particular. O risco de queda pode ser diminuído com a utilização de uma cama larga, com altura suficiente para que seja possível sentar-se com os pés no chão; fixação, se possível, da mesa-de-cabeceira ao chão ou à parede, para servir de apoio em caso de necessidade; presença de interruptores de fácil alcance a partir da cama; piso ou tapete antiderrapante na casa de banho; e colocação de barras de apoio no polibã ou na banheira e nas paredes próximas da sanita.

Mesmo quando ocorre uma queda isolada e sem danos aparentes, o episódio deve sempre ser relatado ao Médico de Família, para que seja possível avaliar as circunstâncias em que a queda ocorreu, despistar potenciais causas orgânicas para a queda, rever a medicação efectuada e identificar os factores de risco existentes e intervir de modo a evitar que novas quedas com consequências graves aconteçam no futuro.