Preparação para o Matrimónio feita por 50% dos casais
Domingo, Outubro 16, 2005

De acordo com o Diário do Minho, metade dos casais da diocese de Braga frequentam cursos de noivos.

Esta conclusão saiu da reunião do Conselho Diocesano do Centro de Preparação para o Matrimónio da Arquidiocese de Braga, realizada no salão paroquial de S. Miguel, em Vizela.

De acordo com o jornal, no ano transacto, a actividade do CPM bracarense chegou a 900 pares de noivos, o que significa uma cobertura de 50% dos casamentos realizados na Diocese.

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Preparação para o matrimónio cristão
Segunda-feira, Maio 31, 2004

Se, por um lado, o matrimónio cristão tem um significado muito rico, por outro lado, é uma aventura grande e empenhativa que merece ser bem preparada. Aqui sugerimos algumas pistas para uma preparação mais remota, abordando também a questão da sexualidade antes do casamento

1. O significado do matrimónio cristão, como vimos no último artigo, é muito rico, mas também empenhativo. Como é que se deve fazer a preparação para uma aventura tão grande?
Nada se improvisa. Tudo se prepara. O amanhã dependerá, em grande parte, do modo como o preparamos já hoje. Por isso, a resposta a esta pergunta deveria ser muito longa. Mas, aqui, limitamo-nos a dar só algumas indicações.

Preparar a nossa própria personalidade humana.
Isso significa:
• desenvolver as nossas próprias faculdades;
• harmonizá-las bem;
• atingir o equilíbrio interior…

Para que uma pessoa se case é necessário que prepare uma personalidade madura, adulta.

Na educação da personalidade tem muita importância a afectividade, que é o conjunto dos sentimentos e das emoções que experimentamos. É importantíssimo que nos eduquemos para uma afectividade verdadeira, profunda, carinhosa, duradoura, equilibrada.

Dado que o matrimónio implica o diálogo permanente entre os dois cônjuges, é necessário que eles se eduquem para a capacidade de diálogo. Ora isso significa:
• atingir uma grande riqueza de conteúdos interiores (como pode dialogar quem não possui nada por dentro?);
• atingir a capacidade não só de comunicar, mas também de se auto-comunicar;
• educar-se para uma série de virtudes sem as quais não é possível dialogar: o respeito, a sinceridade, a confiança, a abertura, a confidência, o altruísmo, a fortaleza, a doçura, a capacidade de escutar, etc.

Dado que o diálogo é o encontro de duas pessoas “abertas” e de dois “amores”, é essencial que se eduquem na capacidade de amar.

O enamoramento acontece de modo espontâneo. Mas a capacidade de amar (isto é, de querer o verdadeiro bem da outra pessoa até ao sacrifício de si próprio) é necessário construí-la, dia após dia. Quem não for capaz de amar os próprios pais, os próprios irmãos, os próprios amigos, os próprios vizinhos e colegas… também não será capaz de amar a pessoa com quem se casar. Quem for egoísta com os próprios familiares e amigos sê-lo-á também com o próprio cônjuge.

Outras pistas:
• formar-se com ideias correctas sobre a sexualidade;
• educar-se na castidade pré-matrimonial, como virtude que ajuda a amar desde já a sua própria e futura “cara-metade”, embora não a conheça ainda: e, portanto, educar-se a abster-se de todos aqueles comportamentos que podem comprometer a totalidade da sua própria e futura doação;
– conhecerem-se mutuamente, tendo presente que é fácil conhecer o corpo (realidade a reenviar para depois do casamento), mas que é difícil conhecer o coração e a alma (realidade a efectuar antes do matrimónio);
– desenvolverem uma profunda amizade: amizade que faz dos dois “uma só alma”;
– ajudarem-se a crescer: isto significa ajudar o outro a tornar-se o melhor de si próprio, sem pretender que o outro se torne como nós o desejamos;
– formarem uma forte personalidade cristã, alimentando as virtudes da fé, da esperança e da caridade.

2. Como se deve viver a sexualidade antes do casamento?
Para responder adequadamente a esta pergunta é preciso termos presente a distinção entre “genitalidade” e “sexualidade”.

A genitalidade é a tendência a viver a sexualidade a nível físico. Essa, como dizíamos noutro artigo, tem duas finalidades:
• exprimir e aprofundar a relação interior com o próprio cônjuge;
• a procriação.

Dado que estas duas finalidades não se podem realizar fora da realidade conjugal, é necessário, antes do casamento, abster-se do uso da genitalidade. E, embora reconheçamos que isso não seja tarefa fácil – para mais num mundo endeusado pelo prazer fácil – , não se diga que isso é impossível: tratando-se de uma tendência e não de uma necessidade, é preciso afirmar que é possível controlar esta tendência, tal como é possível controlar todas as outras tendências.

Para mais, o uso desordenado da genitalidade (na masturbação ou com diversos parceiros) faz com que se comprometa a gestualidade sexual com o próprio e futuro parceiro: gestualidade sexual que deve ser “uma experiência única no mundo”, como único no mundo é um determinado casal.

A sexualidade é, ao contrário, como dizíamos noutro artigo, “a tendência de uma pessoa (o eu) a entrar numa relação muito profunda com a outra pessoa (o tu particular) com quem se partilha a própria vida”. Nesse sentido, pode dizer-se, então, que é já possível (ainda que parcialmente) a sexualidade antes do matrimónio. E como?
• estabelecendo uma relação muito profunda com o Tu de Deus (para quem acredita);
• efectuando relações profundas com os pais, familiares, amigos…;
• desenvolvendo amizades válidas e sãs;
• preparando a própria personalidade para fazer, mais tarde, uma doação completa (total) ao próprio e futuro-tu;
• cultivando as virtudes do diálogo…

Estabelecendo relações profundas com Deus (se tiver fé) e com os outros, um jovem está a preparar-se para efectuar aquela relação muito profunda com o próprio cônjuge, o que constitui a essência da sexualidade.

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