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Praia Fluvial – Deixem-se disso
Sexta-feira, Novembro 4, 2011

As freguesias são o parente pobre da administração do estado. Tendo como termo de comparação uma freguesia média, qualquer estabelecimento comercial de café tem um orçamento anual superior a essa média freguesia. Já todos nos apercebemos que as freguesias constituem o braço político avançado das câmaras municipais; por isso o seu grande interesse em arrebanhar o respectivo orgão executivo – a junta de freguesia. Salvo honrosas excepções que não conheço, as juntas de freguesia, principalmente aquelas que foram eleitas pelo mesmo partido, são as “marionetas” do poder municipal: fazem ou não fazem conforme o interesse politico do município e, quase sempre as populações são uma premissa menor nesta construção aritmética. Dizer isto é repetir tudo aquilo que as pessoas já sabem e que aceitam sem qualquer espírito crítico. Eu diria mais: Portugal anda a brincar às freguesias desde o 25 de Abril. Parece que agora querem acabar com um faz de conta que dura há tempo demais. Bem haja quem reconheça que as freguesias não têm competências nem meios para fazer o que quer que seja sendo instrumentos e instrumentalizadas ao serviço de interesses puramente políticos – o partido ou partidos dominantes na administração do município.

E se isso assim – o que só não é reconhecido por quem beneficia transitoriamente da situação – só com muito trabalho, imaginação e iniciativa é que as juntas de freguesia conseguirão fazer alguma coisa.
A junta de freguesia de Caldelas tentou remar contra a maré: tentou e colaborou com o organismo responsável pela administração do Rio Ave para a limpeza e regularização do seu leito. E se assim o pensou, assim o fez.

Se até ao momento do início das obras o processo foi pacífico, os momentos posteriores foram polémicos. Deparou-se a obstrução sistemática da Câmara e da Turitermas à continuação das obras. Não pelas razões, que deveriam ser objectivas e que se referissem ao mérito da intervenção, da sua inconveniência, desnecessidade ou outra razão pertinente. As razões dos obstaculizadores tinham e tem a ver com a angústia de ver “fazer”: ver fazer quem não recebe nada e em local em que aquelas duas entidades carregam um sentimento de culpa que nunca expiarão.

Para aquelas entidades, principalmente para a câmara municipal, que com os licenciamentos de obras aprovados ao longo dos anos contribuíram decisivamente para a poluição do Rio Ave, o sentimento de culpa esteve presente nas pressões efectuadas junto da ARH Norte.

A culpa de ter contribuído, por acção, para a poluição do Rio Ave; a culpa de, por acção, mau grado os milhões gastos, não ter conseguido em colaboração com outros organismos, a sua despoluição; culpa de nos tempos que correm não fazer nada para reverter e/ou amenizar o problema.

Como o disseram, as praias fluviais são uma quimera; uma ilusão, uma utopia. Praias fluviais no Rio Ave – deixem-se disso. Mais valeria dizer: se querem ter o Rio despoluído para haver praias fluviais, não pensem nisso pois o Rio Ave jamais será despoluído.

É esta, em síntese, a mensagem que o órgão máximo do município deixa aos Taipenses: Rio Ave despoluído=praias fluviais: “deixem-se disso”.