PUB
Por um Parque de Lazer de futuro
Quarta-feira, Agosto 10, 2011

Cada vez mais a qualidade de um governante ou de um gestor público se afere, não pelo que faz e que constrói, mas pela qualidade daquilo que faz. A qualidade pode ser perspectivada de ângulos muito diversos: se for obra nova pela qualidade arquitectónica que inclui a consagração de uma ideia; pelo enquadramento paisagistico; pela utilidade económica e comunitária; pelo impacto ambiental. Parece-me que, numa obra nova, todas aqueles aspectos se encontram numa relação de complementaridade e a relevância de uns se sobrepõe a outros na obra considerada em concreto.

No entanto, qualquer que seja o ponto de vista da abordagem do mérito e da qualidade de uma obra, existe uma característica inultrapassável que deverá estar presente em qualquer obra que se faça: a sustentabilidade da mesma obra.

Este palavrão muito em voga – sustentabilidade – parece exprimir um conceito indeterminado onde poderemos meter tudo o que nos aprouver. Não se pretende isso. Pretende-se acolher um conceito cujo significado se sintetize nisto: a obra construída hoje responde às necessidades actuais e futuras e respeita, de uma forma quase intemporal, os requisitos de qualidade arquitectónica, ambiental, de enquadramento paisagístico e de utilidade pública do presente e de um horizonte temporal futuro médio – nunca menos de 50 anos.

Por exemplo. o Tribunal Judicial de Braga não é sustentável nos requisitos atrás enunciados, uma vez que mais dia menos dia, vai ter de se demolir já que não tem qualidade arquitectónica, tanto exterior como interior. Ao contrário do Tribunal Judicial de Guimarães – o da Mumadona – que mantém a dignidade original e se manterá como edifício por muitas dezenas de anos.

Por isso, e cada vez mais, não basta fazer – quando se tem dinheiro de todos – é absolutamente imprescindível saber fazer. Então quando as obras são de milhões, todo o cuidado é pouco.

As obras que se prevêem construir no parque de lazer das Taipas são de grande delicadeza. O parque de lazer é a jóia das Taipas. Por isso, tem que ser guardada, vigiada, conservada e acarinhada. Qualquer intervenção urbanistica que se queira fazer no parque de lazer e nos terrenos circundantes da Alameda Rosas Guimarães deverá ser objecto de discussão pública intensa de modo a que os taipenses futuros olhem para as obras construídas e digam: mais valia não terem feito nada. A cobertura do ringue, apesar de aspecto eminentemente provisório, era a demonstração clara de uma obra não sustentável que veio a ser destruída – e bem.

O nome dos arquitectos, dos técnicos, por si, não é garante de uma ideia brilhante para o local.

A grande importância das intervenções que se façam no parque de lazer deverá ser objecto de uma larga discussão pública onde se recolham de forma aberta as sensibilidades, as ideias, os conceitos, de modo a que a versão final seja o resultado de um amplo consenso que se afigure sustentável: uma obra de hoje e amanhâ.

O desafio está lançado.