PUB
Portugal está pior
Sexta-feira, Março 13, 2015

O aumento da pobreza, da fome e da miséria está associado à austeridade por quase todos os estudiosos e até por instituições insuspeitas de simpatia pela questão social, de que é exemplo o recente relatório das Nações Unidas. De facto a redução dos apoios sociais, como o subsídio de desemprego, os cortes nos salários e reformas provocam a diminuição dos rendimentos disponíveis das famílias para se sustentarem.

Aos milhares de desempregados, dos quais metade não goza de qualquer protecção social, somam-se milhares de trabalhadores no activo cujos salários sofreram desgaste, diminuíram.

Se a taxa de desemprego continua alta, mesmo aceitando os números oficiais que ofendem a verdade, já a taxa que representa as remunerações revela tendência para cair.

Enquanto a generalidade dos trabalhadores, a classe operária e a classe média, está mais mal paga em 2014 do que há anos atrás, a concentração da riqueza num punhado de ricos cresceu e tornou.se obscena.

Consultem-se os jornais de há três, quatro ou cinco anos, um período de tempo qyue abrange o actual Governo e Governos do PS/Sócrates e veremos afirmações de vários governantes, de políticos declarando que a austeridade atingia todos e não apenas os mais débeis economicamente falando.

Algumas dessas aves canoras foram mesmo ao ponto de dizerem que os pobres foram poupados e que os ricos também sofreram com a crise.

Bem previu e preveniu o PCP que desmascarou e denunciou as manobras governamentais de lançar uma cortina de fumo sobre o saque que se estava a executar, mas infelizmente as suas palavras não foram bem entendidas.

Mas o tempo encarregou-se de trazer a verdade à tona da água. Os números, as estatísticas vão surgindo e a seu tempo provam que a austeridade é uma forma de canalizar montantes enormes dos pobres para os ricos. A Grécia já se levantou do chão. Portugal também se vai erguer.

Portugal não é o que interessa aos especuladores financeiros, nem o progresso social se mede em indicadores financeiros. O progresso social, o único progresso que verdadeiramente interessa, mede-se em emprego, emprego de qualidade e em melhoria das condições de vida. O resto é fumo para esconder o saque.