Ponto final – O meu reino por uma chave
Terça-feira, Março 5, 2002

Os resultados eleitorais originaram uma composição um tudo-nada semelhante à de Caldelas, mas ainda mais favorável à oposição. Um dos problemas maiores, segundo este membro da Junta é que o presidente não queria dar uma chave da sede da Junta aos restantes membros desse órgão. Referia que se tratava de uma falta de confiança inaceitável.
Para quem acredita no destino, pareceu tratar-se de uma premonição para o que viria a acontecer na referida primeira reunião da Junta de Caldelas. Só que agora as pessoas representavam partidos diferentes.
O elemento da Junta eleito pela lista Unidos pelas Taipas pretendia que lhe fosse facultada uma chave da sede da Junta.
O presidente da Junta negou tal pretensão. Os argumentos utilizados terão andado à volta da questão da confiança, ou da falta dela.
Poder-se-á dizer que as grandes obras ou grandes projectos começam pelas coisas mais simples, por vezes um pequeno grão dá cabo de uma engrenagem.
Os resultados das últimas eleições autárquicas e a composição dos órgãos autárquicos resultantes da vontade popular geraram novas expectativas.
Pelos discursos espera-se, com legitimidade, algo de novo ao longo destes quatro anos. No entanto, não deixa de ser sintomático, que num mandato que se gostaria de ver marcado pela diferença, a primeira grande questão em cima da mesa se tenha resumido à problemática da distribuição de chaves da Junta pela oposição. Sem dúvida, tivemos um início pouco prometedor.
Se nos permitem uma opinião, consideramos que numa democracia a chave não deve ficar só com o presidente. Deve ser distribuída ao secretário e tesoureiro. Então se eles quiserem analisar os dossiers existentes na Junta de uma forma tranquila como é que o poderão fazer? Vão ter de andar de mão dada com o presidente por todos os cantos da Junta? Se ainda fosse na anterior sede tudo seria mais fácil. Agora neste novo edifício, que tem tantas salas, torna-se mais complicado. Dizemos mais, deveriam ser facultadas as chaves de todos os gabinetes. Temos ou não temos uma gestão transparente?
Vamos mais longe, o ideal seria pendurar uma chave à entrada da sede da Junta. Assim, quem quisesse entrar, não teria de esperar pelas funcionárias ou pelo presidente. O povo é quem mais ordena, tem de ser este o lema na questão da chave. (Agora com a CDU na Junta já se pode aplicar este tipo de frases).
Entregar as chaves à oposição ainda se poderia justificar se fosse o caso de termos um presidente que nunca está na Junta. Não será este o caso de Caldelas. Todos sabemos que o presidente mesmo que não esteja na sede fisicamente está sempre presente em pensamento, e isto é que conta.
Esta questão parece que adquiriu contornos deveras importantes para a vila. Pequenos panfletos, mais uma vez anónimos (afinal parece que ainda não foi restaurada a democracia na vila), foram distribuídos pelas Taipas a denunciar esta autêntica escandaleira. A origem não deve ter nada a ver com o auto-denominado grupo “Ovelhas Negras”, até porque estas, parece, estão mais viradas para o cor-de-rosa.

Alguns poderão argumentar que esta será uma questão demasiado séria para ironias. Acreditamos que poderão ter alguma razão. Neste caso, quando num órgão como a Junta de Freguesia se verifica uma nítida falta de confiança entre os seus elementos, se tudo fosse muito rígido, só existiria um caminho a seguir…
Quanto à questão legal, se aos elementos da Junta de Freguesia deve ser facultada uma chave, é óbvio que não nos pronunciamos, quem de direito é que o deverá fazer.

Este texto foi escrito antes da data para que estava marcada a segunda reunião da Junta de Freguesia.
Nesse dia, 27 de Fevereiro, deslocamo-nos à sede da Junta para fazer a cobertura da reunião desse órgão autárquico. Não houve, tinha sido adiada.
Estava um aviso afixado à porta da Junta a dar conta da mudança da data. Não sabemos nem perguntamos, melhor, nem temos de perguntar os motivos dessa mudança. Quem promove o adiamento de uma reunião pública é que tem de publicitar a alteração da data e mesmo as razões.
O que é um facto é que estavam várias pessoas interessadas em participar na reunião e que não foram devidamente avisadas. Vários membros da Assembleia de Freguesia (do PS, UT e CDU) estiveram presentes e desconheciam por completo o que se estava a passar. A brincar foi dito, por um dos presentes, que o adiamento foi propositado. Era a forma desta reunião não sair no jornal.
Acreditamos que terá havido um motivo sério e urgente e que o responsável, provavelmente, dará a conhecer na reunião que coincidirá com a saída desta edição do Reflexo.
O que lamentamos é o facto de os vícios processuais antigos custarem a desaparecer.

O novo presidente da Assembleia referiu na última edição do Reflexo a necessidade de revitalizar o funcionamento da Assembleia de Freguesia. Adiantou ainda que seria muito provável que as reuniões ordinárias talvez não fossem suficientes para a quantidade de assuntos que esse órgão teria de debater.
Entramos em Março e Manuel Ribeiro ainda não fez a sua estreia a dirigir os trabalhos desse órgão autárquico.

Alfredo Oliveira