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Ponto Final – Futebol, PSD,MTAC e….
Sábado, Fevereiro 2, 2002

Os jogadores sobem ao relvado e já se nota que vão perder. Fazem o aquecimento, fazem uns rodriguinhos, mas não adianta de nada, é derrota pela certa.

Os jogadores, apesar da táctica do treinador, estão descrentes, têm consciência que poderiam ter uma equipa mais forte.
O presidente do clube refugia-se nas palavras. Nos treinos manda uns recados, diz que quem manda é ele, mas nem sequer aparece no dia do jogo.
Uma equipa que chegou a este estado é natural que não se preparou convenientemente. Antes do campeonato ter início, a chamada pré-época, não teve preocupação quanto ao estado dos seus jogadores, treinos nem pensar, quando começar o campeonato logo se verá, era a palavra de ordem. Saber como estavam as equipas adversárias, estudar os esquemas tácticos dos rivais, saber o que andavam a fazer, não era necessário.
O presidente é que escolhe os jogadores. Através dos vídeos que os empresários lhe mostram, rejeita uns e aceita outros. Quando apresenta a constituição da equipa, tem cinco guarda-redes, dez defesas e um centro campista, avançados nem vê-los. Ninguém consegue perceber qual é esta estratégia, se é que existe.
Quando se dá o apito inicial do primeiro jogo, o improviso é a palavra de ordem. Os jogadores não sabem quem é que ataca, quem joga a meio campo e quem é que na defesa fica a dar porrada a torto e a direito (onde é que eu já ouvi isto!).
A equipa é uma autêntica barafunda. Ninguém se entende, é uma equipa com muitos artistas mas não tem nenhum “carregador de piano”.
O presidente ainda pode buscar um ou outro Jardel existente na chamada prata da casa, às equipas jovens do clube, mas diz que não prestam, tal como o Jardel diz, não joga nada, só sabe marcar golos.
A goleada é certa. O discurso é o mesmo que os responsáveis da selecção nacional tinham há uns anos atrás. Perdemos por poucos e a culpa é do árbitro que roubou dois penaltis. No final do campeonato a classificação final é a mesma. A equipa joga para a Europa e não para o título.
É óbvio que um presidente deste género é daqueles que as equipas adversárias gostam que nunca se demitam ou que sejam corridos. O descalabro do meu adversário acaba por ser a minha sorte. É frequente dizer-se que nós não podemos viver com o azar dos outros, mas toda a gente sabe que isso não passa de um ditado.
Não vamos afirmar que o PSD de Guimarães tenha as mesmas características da equipa de futebol acima descrita. Confessamos que, pelo menos, serviu de inspiração.

Como o texto acima está muito complicado, uma pequena nota para desanuviar.
Tem sido muito comentada a última faixa do MTAC. Citando de memória: “Foi restaurada a democracia nas Taipas, estamos de parabéns. Trabalhamos para o desenvovimento e progresso da vila”.
Para quem ande distraído é mesmo isso. Foi restaurada a democracia na vila das Taipas.
Sou dos que ficaram satisfeitos com essa posição do MTAC.
Até agora, o MTAC vivia, na clandestinidade, conhecia-se o seu líder e mais um ou dois elementos. Estavam amordaçados, não podiam falar. Sabemos que até tinham um boletim, mas no período negro que Taipas viveu, deverá ter sido confiscado pois somente saíram dois números.
Agora com a liberdade conquistada vamos poder saber, finalmente, aquilo que toda a gente sempre quis saber mas que não podia ser dita.
As grandes verdades serão reveladas.
As pessoas que apoiavam o MTAC mas que não podiam dar a cara, agora, com a restauração da democracia, já o poderão fazer.

A Assembleia de Freguesia para a instalação dos órgãos autárquicos terá ficado aquém das expectativas. Quem estava à espera de grande agitação deve ter saído um pouco frustrado.
Dois momentos são de registar. O primeiro a salientar foi o da eleição do 1° vogal para a Junta. O PS propôs Constantino Veiga eleito pela CDU, nome que foi apoiado igualmente por esse partido. A UT avançou com um seu elemento, Armando Abreu. No final, Constantino Veiga foi eleito por 5 votos contra 4. Como o PS tem quatro elementos e a CDU tem dois, o resultado final não bateu certo. Constantino Veiga terá votado nele próprio?
Outra questão se pode levantar. O PS não teria eleito esse vogal, aproveitando-se da confusão gerada pelo facto de a UT e CDU terem apresentado candidatos diferentes?
O segundo momento, que provocou alguns sorrisos na plateia foi, digamos, a provocaçãozinha da CDU quando avançou com o nome de Mário Dias para 2° vogal da Assembleia de Freguesia.