Ponte: uma Junta e Câmara PS
Terça-feira, Agosto 13, 2013

No inicio de Julho foram publicados no D.R., com vista às eleições do próximo 29 de Setembro, o número de eleitores nacionais, da U.E e fora da U. E., por concelho e freguesia.

Fiquei a saber que a freguesia (Vila) de Ponte (S. João) tem mais eleitores que a freguesia de Caldelas (Caldas das Taipas).

Se a importância das freguesias se mede pelo número de eleitores que terá um correspondente directo no número de habitantes, a freguesia de Ponte é mais importante que a de Caldas das Taipas. Se é importante deveria merecer a atenção devida de, principalmente, quem manda no seu território – a Câmara Municipal.

Se Caldas das Taipas tem razão de queixa do abandono por parte do município, a freguesia de Ponte tem muito mais.

Mas se a Câmara de Guimarães e a junta de freguesia de Ponte são PS(S) há muitos anos e em mandatos coincidentes, como se explica?

É que há muito boa gente na nossa terra que num impulso de autocracia narcisista defende que o partido que lidera a Câmara deve ser o mesmo partido que deve liderar a junta de freguesia.

Esta ideia (tese) sofre rebates que a fazem cair de modo irremediável.

Bem, diga-se em primeiro lugar que, só se atreve a defender semelhante aberração democrática quem está convencido que o mesmo partido que apoia na freguesia vai ganhar a Câmara; de outra forma defendia o seu contrário.

Quem defende que a junta de freguesia deve ser do mesmo partido do da Câmara está a dizer que as freguesias deveriam deixar de existir e consequentemente os seus órgãos: a câmara podia muito bem gerir, como já gere, as freguesias por intermédio de funcionários; está-se, implicitamente, a defender a irrelevância das freguesias e dos seus órgãos. Nesta hipótese podia-se voltar ao tempo dos regedores que seriam mandatários das Câmaras nas freguesias.

Por outro lado, defender aquela ideia de uma forma tão despudorada é atingir a essência do poder local corporizado nas freguesias enquanto entidade da administração local mais próxima do cidadão, a sua autonomia e a sua independência: uma junta do mesmo partido da câmara, salvo raríssimas excepções que o Presidente da Câmara faz menção de eliminar na primeira oportunidade, não tem autonomia nem independência.

A identificação partidária entre a junta de freguesia e a Câmara prejudica a dialéctica democrática, favorece a subserviência, prejudica o interesse público.

Toda a antítese aqui exposta está demonstrada na Vila de Ponte. A freguesia e vila de Ponte merece, porque tem necessidade, de mais atenção. Não tem nada e não foi feito nada ao longo dos tempos com uma junta PS e uma câmara PS.

Esquecia-me de referir que Ponte tem dois prédios mégalomanos, voltados para o Rio Ave, aberrações arquitectónicas construídas em espaço rural. Estes atentados, que se pagam muito caro em termos de qualidade ambiental, prejudicando também as Taipas, são o fruto de junta e Câmara PS. As duas “juntas” a fazer asneiras.

E por que é que a Câmara não gasta um tostão em Ponte como seria de esperar sendo a junta PS?

Pois é! Já não tem.

Gastou-o todo na cidade. O dinheiro deste ano, do próximo e dos que se seguem.

E por isso, as ruas esburacadas de Ponte, os passeios partidos, as iluminações apagadas, as estradas por marcar, tal como nas Taipas, vão continuar assim porque o PS da Câmara não conhece nem quer saber das freguesias. Só se lembram delas nas eleições.

Dado o tratamento da Câmara à Vila de Ponte até me apetece dizer: de que se queixa as Taipas?