Poderão as varizes ter alguma relação com o futuro de Portugal?
Segunda-feira, Outubro 14, 2013

As varizes dos membros inferiores são um problema que traz muitos utentes à consulta do Médico de Família, estimando-se que cerca de 1/3 dos adultos são atingidos por esta doença.
Os homens lamentam-se, mas são sobretudo as mulheres que constituem o grosso da fatia dos doentes que se vêm queixar. E compreende-se que assim seja pois, para estas, umas pernas com varizes atingem decisivamente um aspeto fulcral da beleza feminina.

Para além da questão estética há sintomas desagradáveis que diminuem a qualidade de vida destes doentes, nomeadamente as pernas inchadas, a sensação de peso, a dor, a alteração da cor da pele e o aparecimento de feridas, entre outros.
As varizes têm várias etiologias: podem ser primárias, isto é, não são provocadas por nenhum fator desencadeante conhecido; secundárias, por aparecem na sequência de uma causa, por exemplo uma trombose de uma veia ou podem ter na sua base um determinante genético, isto é, ter a ver com os nossos cromossomas.

Nas mulheres há um período na vida que é fulcral para o aparecimento ou eventual agravamento desta doença, a gravidez. É muitas vezes nesta fase que as pernas ficam edemaciadas (inchadas) pela primeira vez.

Mas então, perguntará a leitora, a gravidez é uma condição pela qual quase todas as mulheres passam. Que poderei fazer? Não ter filhos? Apenas um?

Bom, cara leitora, vejo a baixa de natalidade como um problema gravíssimo para o futuro do nosso país. Não conseguiremos ter futuro com as famílias limitadas a um ou dois filhos. Está estudado que, apenas para a substituir a si e ao seu marido, deveria ter 2,3 (dois virgula três) filhos. Os 0,3 a mais serão para compensar, por exemplo, os jovens que morrem de acidente e que nunca chegam a procriar ou os casais inférteis.
Todos ouvimos falar que a segurança social é insustentável e uma das razões, senão a principal, é que a população está a envelhecer e daqui a alguns anos os que trabalham e contribuem com os seus impostos para pagar a reforma dos mais velhos, serão em menor número que aqueles que recebem.

Nunca ouviram falar em fecho de escolas primárias? Pudera, não há alunos para elas e…logo, sobram os professores… Até os pediatras se queixam de falta de clientes…
Pergunto, frequentemente, às mulheres minhas utentes: então, não tem “uns dias de atraso”? Muitas respondem que não têm condições, outras que os filhos ficam muito caros e por aí adiante. Eu sei que, há 50 anos atrás, os filhos eram vistos como fonte de rendimento, isto é, para além do abono de família e, se não fosse mais cedo, logo após terminarem a escola primária iam trabalhar e era mais um salário que entrava em casa. Agora imaginem uma família com 5 filhos…todos a trabalhar e os pais também!

Agora, com a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, em muitos casos sem abono de família e sempre a gastar, os filhos são considerados uma despesa. Acresce o fato de muitos pais preferirem dar tudo a um ou a dois filhos, a dar menos a três.
Imaginem, ainda, que se continua a falar de planeamento familiar a torto e a direito, não sei quantas pilulas gratuitas no centro de saúde, bem assim como preservativos e dispositivos intra-uterinos, abortos nos hospitais a preço de saldo pagos por todos os contribuintes e vejam aonde vai parar a natalidade portuguesa…

Como sair desta situação? Já ontem era tarde, mas os nossos governantes vão ter que olhar de frente este grave problema que está a hipotecar o futuro do país. Há solução? Claro que há! Nas entrelinhas se poderão vislumbrar algumas pistas (polémicas, pois então…) mas uma descida de IRS conforme fosse aumentando o número de filhos poderia fazer toda a diferença!

Bem, mas voltando às varizes e depois deste desabafo, uma mulher que pretenda engravidar deve ter o peso adequado e fazer exercício físico. Durante a gravidez não poderá aumentar de peso para além do recomendado; no seu local de trabalho, se sentada ou de pé muitas horas, deverá fazer exercícios com os pés e pernas e poderá/deverá usar meias elásticas.
É isto que está ao seu alcance para prevenir o aparecimento de varizes: peso adequado, exercício e contenção elástica. Os medicamentos que existem “para as varizes” não têm efeito clínico demonstrado e foi por esta razão que foram descomparticipados.

Vá lá, não tenha receio de ter filhos. Pense neles como uma dádiva e não como uma dívida. Em vez de dar roupa e sapatilhas de marca, mais uma playstation de última geração a um, dê uma caixa de legos aos três. Seguramente brincarão mais felizes e poderão aprender melhor.

Se no final tiver algumas varizes, foi por uma causa nobre! Além disso, terá sempre possibilidades de fazer um tratamento cirúrgico.