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Pelas Taipas
Sábado, Julho 9, 2005

PARTE I

Há dias, sentado na esplanada adjacente à feira do livro em amena cavaqueira com amigos de longa data, um deles disse ser uma pena se algum dia o centro das Taipas desaparecesse, por destruição ou por adulteração.

Naquele fim de tarde quente, a tranquilidade do lugar só era interrompida pela passagem de um ou outro automobilista mais acelerado ou pelo barulho de algum transporte de maior dimensão, convidando à amena cavaqueira e ao relaxamento.

As Taipas resistiram à fúria descaracterizadora dos construtores civis sem escrúpulos. À sua volta cresceram as habitações colectivas horizontais, rasgaram-se urbanizações que ocuparam campos de cultivo e bordejam as margens dos arruamentos antigos e modernos, sem macular o que melhor as caracteriza e constitui a sua melhor carta de apresentação: o jardim e o parque.

Perante este cenário haverá quem desdenhe dele e a ele preferisse um outro mais movimentado, mais irrequieto, confundindo-o como expressão do progresso. Porém, tal transformação a verificar-se não seria sinónimo de vida melhor, seria uma máscara do verdadeiro desenvolvimento e constituiria uma ofensa à quietude da envolvente e ao modo de vida das gentes.

Nesse conjunto harmónico e gracioso reside o motor do desenvolvimento. Por ele e em torno dele há que estabelecer a estratégia certa, as metodologias de intervenção, os objectivos a atingir. Obviamente, a manutenção desse potencial não é incompatível com a introdução de construção nova, novos arruamentos e novas centralidades que propiciem outras vivências, quiçá mais agitadas e mais frenéticas, complementares das reservadas para o núcleo central a salvaguardar e proteger a qualquer preço.

Somos o lugar geométrico de diversas freguesias que nos rodeiam. Com naturalidade e sem arrogância constituímos um pólo de atracção que já foi maior e mais imprescindível do que hoje, mas ainda com respostas suficientes para as aspirações e necessidades de toda a ordem de populações para quem as Taipas é um ponto geográfico a meio caminho entre duas grandes urbes.

Nesta perspectiva ampla temos uma economia onde se cruzam os três sectores de actividade: a agricultura, a indústria e o comércio. Falta acrescentar-lhe aquela para a qual estaremos especialmente vocacionados – o turismo e o lazer.

Temos condições. Falta-nos projecto mobilizador, uma estratégia e uma liderança respeitada, insuspeita de contaminações espúrias e experiente.

NOTA DE RODAPÉ: Declarei nesta coluna do “Reflexo” que se o meu apoio fizesse falta para ultrapassar o impasse do CC das Taipas, podiam contar comigo. Prometi e cumpri.

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