Para dialogar sobre a toterância
Quinta-feira, Abril 9, 2015

A HISTÓRIA DE “UM E SETE”
Conheci um menino que eram sete meninos. Vivia em Lisboa, chamava-se José e o seu pai era ferroviário.
Mas também vivia em Paris, chamava-se Jean e o seu pai trabalhava numa fábrica de automóveis.
Mas também vivia em Berlim, chamava-se Kurt e o seu pai era professor de música.
Mas também vivia em Moscovo, chamava-se Yuri e o seu pai era pedreiro.
Mas também vivia em Nova Iorque, chamava-se Jimmy e o seu pai tinha uma gasolineira.
Quantos é que já disse? Faltam-me dois:
Um chamava-se Ciú, vivia em Xangai e o seu pai era pescador. O último chamava-se Pablo, vivia em Buenos Aires e o seu pai era operário.
José, Jean, Kurt, Yuri, Jimmy, Ciú e Pablo eram sete mas eram sempre o mesmo menino que tinha oito anos, sabia ler e escrever e andava de bicicleta sem apoiar as mãos no guiador.
Uns tinham a pele branca, outros amarela, mas eram a mesma criança. Uns falavam português e outros francês, mas eram o mesmo menino e riam-se todos na mesma língua.
Agora cresceram os sete e já não poderão fazer guerra uns contra os outros, porque são uma só pessoa. (Gianni Rodari)

PARA REFLECTIR… PARA DIALOGAR EM GRUPO
1. O que significa para vós ser tolerante numa sociedade pluralista?
2. Procurai sinais de tolerância e de intolerância nos vossos ambientes.
3. No vosso grupo de amigos, costumais ser tolerantes? Exemplificai.
4. Como fazer para que a tolerância esteja presente no nosso quotidiano? Dai exemplos concretos.

UM TESTEMUNHO: “DIÁRIO DE UM EMIGRANTE”
Somos dez e viemos de África. A nossa pele é escura, o nosso país é diferente, mas nada mais nos diferencia de vós.
A nossa documentação está em dia. Alguns dos nossos companheiros ainda não legalizaram a sua situação e podem ser expulsos. Mas são poucos. Também há alguns que vendem droga e cometem crimes. Mas são poucos.
Há três dias que chegámos aqui e começámos logo a trabalhar. Dormíamos numa casa abandonada. As duas primeiras noites foram calmas. Mas a terceira não. Acordei com o cheiro a fumo, e graças a isso ainda estamos vivos. Não sabemos ainda quem nos queria matar. Queriam asfixiar-nos. Mas escapámos por uma janela.
No dia seguinte, regressámos ao trabalho. Temos um contrato e queremos cumpri-lo, embora alguns brancos não nos queiram ao seu lado. Dormimos agora ao ar livre.
Vós, portugueses, já vos esquecestes que também fostes emigrantes e esquecestes os sofrimentos que passastes em terras de França ou da Alemanha. Nós também saímos da nossa terra para escapar à pobreza. Por isso, aceitamos os trabalhos mais duros que vós não quereis. Não desejamos mais nada.
Na vossa terra encontrámos gente boa, mas alguns continuam a não ver-nos com bons olhos. Apesar disso, nós continuaremos a percorrer as vossas terras e a dormir ao relento, se necessário, até que entre nós e vós se forme uma comunidade de irmãos.

– Comentai o racismo que conheceis. Qual a atitude mais correcta a ter com os emigrantes de raça negra?
– Recordai cenas da vida de Jesus em que ele se manifesta tolerante. (Cf. Mt 15, 21-28; Lc 17, 11-19; Jo 4, 7-30). Tirai conclusões para a vossa vida.