O tabaco
Quarta-feira, Setembro 12, 2012

O tabaco é uma planta cujo nome científico é Nicotiana tabacum, da qual é extraída uma substância chamada nicotina. Começou a ser utilizada por volta do ano 1000 a.C., nas sociedades indígenas da América Central, em rituais mágico-religiosos, com o objetivo de purificar, contemplar, proteger e fortalecer os ímpetos guerreiros. A partir do século XVI, seu uso foi introduzido na Europa, inicialmente com fins curativos. Só em 1840, surgiram as primeiras descrições de homens e mulheres fumando cigarros por prazer, porém foi após a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918), que o seu consumo teve grande expansão.

Hoje, o tabaco é cultivado em todas as partes do mundo, sendo responsável por uma atividade económica que envolve milhões de dólares. Apesar dos males que o hábito de fumar provoca, a nicotina é uma das drogas mais consumidas no mundo.

O tabagismo – ato voluntário de inalar o fumo da queima do tabaco – independentemente da qualidade, quantidade ou frequência, é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Estudos comprovam que cerca de 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina do mundo fumam. O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu 4,9 milhões de mortes anuais, cerca de 10 mil mortes por dia.

O fumo do cigarro é constituído por quase 5 mil substâncias tóxicas, 80 das quais são cancerígenas. Os principais componentes são: a nicotina, responsável pela maior parte dos efeitos do tabaco sobre o organismo e a que gera dependência física; os irritantes, alteram o mecanismo de defesa do pulmão; o alcatrão e outros agentes cancerígenos; e o monóxido de carbono, associa-se facilmente à hemoglobina, diminuindo a capacidade dos glóbulos vermelhos em transportarem o oxigénio.

O tabaco é responsável por diversas patologias, entre elas o Enfarte Agudo do Miocárdio (“ataque cardíaco”), o Acidente Vascular Cerebral (AVC), a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), diversos cancros (pulmão, boca, laringe, faringe, esófago, pâncreas, rim, bexiga e colo do útero), e a impotência sexual.

Fumar durante a gravidez afeta negativamente o feto. “Quando a mãe fuma, o feto também fuma!”, recebendo as substâncias tóxicas do cigarro através da placenta. A nicotina provoca aumento do batimento cardíaco no feto, redução do peso e da estatura do recém-nascido, além de alterações neurológicas importantes.

O impacto negativo do tabaco está bem estabelecido, na medida em que afeta diretamente a qualidade e a quantidade de vida. Sendo evidentes os efeitos do tabagismo na saúde, ainda há pessoas que continuam a fumar. Em parte poderá ser devido à falta de informação, mas a justificação principal está no facto da nicotina ter caraterísticas aditivas, provocando o seu uso compulsivo, os seus efeitos psicoativos, promovendo um comportamento reforçado pela droga (tolerância e dependência física), manifestada por uma síndroma de abstinência. Esta inclui, entre outros sintomas, a necessidade imperiosa de fumar, irritabilidade, agressividade, ansiedade, dificuldade de concentração, dores de cabeça, aumento do apetite e tonturas.

Para desistir de fumar será necessário romper o “triângulo do fumador”, isto é, controlar os 3 factores principais envolvidos no tabagismo: a dependência psicológica e fisiológica da nicotina, as influências psicossociais (lidar com o stress e a ansiedade, por exemplo) e o hábito.

O Tabagismo Passivo, a inalação do fumo de derivados do tabaco (cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo) por não fumadores, que convivem com fumadores em ambientes fechados, é, segundo a OMS, a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, a seguir ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool. Fumar passivamente pode provocar as mesmas doenças que fumar ativamente. Uma pessoa que não fuma, em contacto com fumadores, no final de um dia de trabalho chega a fumar o equivalente a uma média de 1 a 4 cigarros.

O controlo global do tabagismo passa pela prevenção da iniciação ao hábito de fumar, a eliminação das fontes de exposição involuntária ao fumo do tabaco e o apoio/promoção aos programas de abandono do tabaco.

A desabituação da nicotina não é fácil e necessita, muitas vezes, da intervenção e acompanhamento por profissionais de saúde especializados, bem como terapêutica comportamental e/ou farmacológica. Mas é possível!! Basta querer…

O tabaco é um dos maiores inimigos da saúde… Dê o primeiro passo para uma vida sem fumo…