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Os vimaranenses de Arosa e Castelões
Quinta-feira, Julho 14, 2016

No passado dia 7 de Julho realizou-se mais uma reunião descentralizada da Câmara Municipal de Guimarães, a primeira fora do ciclo inicial que, como sabem, contemplou as nove vilas do concelho e também a primeira realizada numa associação de freguesias – União de Freguesias de Arosa e Castelões, resultante da reorganização administrativa do território autárquico.

Estas freguesias distam do centro da cidade cerca de vinte quilómetros e para lá chegarmos, usando a Nacional 207-4, atravessamos dois concelhos: Fafe e Póvoa de Lanhoso. É mais rápido chegar ao centro de Lanhoso do que ao centro de Guimarães. Mas se esta realidade também verificada em alguns locais do nosso concelho, pelo afastamento geográfico do centro, provoca e potencia algum afastamento identitário e afectivo da sua população, neste caso verificamos uma vontade diferente, os seus habitantes sentem-se e têm orgulho em ser vimaranenses!

Em toda a minha vida até hoje, visitei Arosa e Castelões não mais que uma dezena de vezes. O motivo é simples, não sendo um local de passagem para mim, só o fiz mesmo para fins profissionais e, ultimamente com mais frequência, no desempenho da minha actividade política enquanto vereador.

Apenas pelo mapa do território concelhio vimaranense nos apercebemos da sua forma e localização: parece a ponta duma lança invadindo o contorno harmonioso da fronteira do território vizinho, repousando longe, muito longe e resguardada do bulício urbano das cidades à espera de quem a usufrua, em busca de equilíbrio, paz e serenidade que a paisagem natural proporciona.

Os seus habitantes, cada vez menos, sabem que este é um local muito bom e airoso para viver, mas têm que procurar noutras paragens o trabalho e a actividade profissional que lhes garanta a sobrevivência. Aqui não há propriamente indústria ou serviços que os sustentem e o sector agrícola é em larga medida de subsistência. Também não há escola por manifesta falta de crianças.

Mas estas freguesias têm uma enorme beleza natural paisagística, que precisa de ser olhada como a matéria prima, capaz de atrair gente para actividades turísticas e lúdicas, viradas para a natureza e para o ambiente.

É preciso requalificar as praias fluviais existentes, locais paradisíacos, tais como a lagoa dos três moinhos no Rio Ave, onde a água ainda corre límpida e pura, requalificar a centralidade de Arosa junto às pontes sobre o rio Pequeno ou Torto e cuidar do património arquitectónico circundante. É urgente criar condições para mais e melhor mobilidade. A preservação e criação de novos trilhos complementa a oferta desta estratégia de desenvolvimento na área turística e de lazer.

Para que os laços afectivos se mantenham, de cá para lá e de lá para cá, é necessário repensar na política dos nossos transportes públicos, para que estes nossos conterrâneos, que têm orgulho de ser vimaranenses, que pagam impostos como nós, tenham as mesmas possibilidades, daqueles que vivem mais perto do centro e possam usufruir da oferta de tudo aquilo que o centro tem para lhes oferecer.

Guimarães, 14 de Julho de 2016
Vereador pela CDU pela Câmara Municipal de Guimarães