Os soldados da paz
Domingo, Agosto 11, 2002

São 01.45 horas da manhã, dou comigo a pensar ao som de uma quase interminável sirene, na difícil e arriscada missão de um bombeiro.
Conhecendo como conheço, a Associação Humanitária dos Bombeiros das Taipas, em virtude das responsabilidade directivas que desempenho, não é este o assunto que pretendo abordar, mas sim do seu corpo activo.
Quando aqui há uns anos, uma respeitada personalidade do nosso meio foi entrevistada por este jornal, afirmou que, o que mexia na vila, era o Clube Caçadores das Taipas e pouco mais, penso que por esquecimento e sem qualquer menosprezo pelas outras instituíções, não se lembrou dos Bombeiros das Taipas.
Se estivermos atentos e se tivermos algum conhecimento do meio, constatamos que o prestígio e o respeito que o corpo activo dos “nossos” Bombeiros têm junto das outras corporações e das instâncias superiores é motivo de orgulho para todos. Já aconteceu em visitas que efectuei a algumas terras vizinhas, por vezes faltam adjectivos para qualificarem os nossos soldados, desde a sua eficácia, coragem, respeito por todos, o trabalhar em grupo, a sua disponibilidade, enfim um rol de elogios que por vezes me fazem corar.
Por vezes questiono-me: porque razão eles são assim? O que os move?
Só encontro resposta, neste tempo em que vivemos de profundo comodismo e egoísmo, no querer servir desinteressadamente. É inquestionavelmente uma forma exemplar de como se deve viver em sociedade, porque estes homens são voluntários, arriscam a sua vida em prol dos outros, todos de uma forma ou outra já tiveram experiência disso mesmo. É também verdade, que muitas das vezes só nos apercebemos do seu valor quando necessitamos deles. Que seria de nós, nos sinistros? Se não fosse a sua intervenção rápida, quantas vidas se perderiam?
Mas para aqueles que ainda têm dúvidas, proponho-lhes um desafio. Quando ouvirem a sirene tentem observar como se processa a saída dos carros, vejam aqueles homens, ainda mal vestidos, com os seus fatos pendurados nos carros, irem combater os incêndios e outros sinistros, muitas vezes com poucas condições de segurança.
Da minha parte curvo-me em sinal de respeito e a gratidão que tenho para com todos os Bombeiros será eterna. Muito Obrigado.

Sem mais despeço-me com cumprimentos.

E Viva as Taipas!