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Os políticos e a bola
Quinta-feira, Novembro 2, 2006

Habituei-me a ouvir – sempre discordando, com as devidas distinções – que uma mistura de políticos com o futebol resultava num “explosivo”. Enfim, uma ligação que parecia quase impossível, perante o “popuralidade” deste desporto, contrariando a intelectualidade dos homens da política. Certo é, nos últimos tempos, o futebol tem sido um meio para fins políticos, tal o interesse que desperta no público, e em particular na população de Portugal.

Facilmente se reconhece Jorge Nuno Pinto da Costa, Luís Figo ou João Pinto, do que propriamente José Sócrates ou Jaime Gama. Desculpem-me o uso destes nomes, mas é verdade!

Certo é que estratégia do poder, mesmo a nível local, há muito que passa pela popularidade que os nomes vão ganhando enquanto “homens do futebol”.

Recordam-se de Pedro Santana Lopes, foi presidente da direcção do Sporting Clube de Portugal e acabou por chegar a Primeiro Ministro! E quantos e quantos não foram presidentes do clube X e Y, nas freguesias A e B, tendo acabado por serem eleitos Presidentes das respectivas Juntas de Freguesias?

Esta “estratégia” está implementada e a ganhar adeptos, principalmente no futebol, onde se move o maior número de paixões. Já temos um antigo Secretário de Estado do Desporto, Hermínio Loureiro, a presidir à Liga Profissional de Futebol. E já se fala em Miranda Calha, também ex-Secretário de Estado do Desporto, para assumir uma candidatura à Presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Quem jogou na antecipação, com sucesso mais do que comprovado, foi o Major Valentim Loureiro, ao destacar-se na presidência de um clube da cidade do Porto, o Boavista FC, acabando por assumir a presidência da Liga de Clubes, tendo obtido protagonismo que o levou à eleição para Presidente da Câmara Municipal de Gondomar. E mesmo quando foi excluído, nas últimas autárquicas, do seu partido (PSD), acabou por ser reeleito, como independente, pelos eleitores, que não olharam aos argumentos nem às polémicas do famigerado caso “Apito Dourado”, reforçando a confiança na liderança em alguém que já tinha mostrado trabalho, mas sobretudo porque é reconhecido a nível nacional. Tudo isto, indepententemente das suas reconhecidas competências, graças ao futebol.

Enfim, é só um exemplo. E o Major até pode chegar mais longe na política, basta querer!

Ora, o que está dar é apostar no futebol… Pensavam os “intelectuais” que o futebol eram um mundo de “desordeiros” e pessoas pouco cultas, mas eles vão lá parar!