Os habitantes das Taipas não são carneiros
Terça-feira, Setembro 25, 2012

A afirmação é de Constantino Veiga, numa conferência de imprensa promovida no final do dia de ontem, em que exigiu de António Magalhães, presidente da Câmara de Guimarães, um pedido de desculpas aos taipenses.

A Junta de Freguesia de Caldelas chamou os jornalistas à sua sede para dar conta do seu desagrado perante as últimas declarações de António Magalhães, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, relativas à questão da Reforma Administrativa, nomeadamente à posição que a freguesia taipense fez chegar à Assembleia Municipal.

O termo “arrebanhar” freguesias, utilizado pelo presidente da Câmara, relativamente às pretensões taipenses sobre o assunto, não caiu bem ao executivo liderado por Constantino Veiga, levando-o a referir que “os habitantes das Taipas são taipenses e não carneiros pelo que o senhor Presidente da Junta não é um pastor mas sim um Presidente de Junta eleito por maioria, que o senhor Presidente da Câmara deverá respeitar”. Constantino Veiga considera que António Magalhães tem “antes de tudo de pedir desculpa aos taipenses, pelo termo que utilizou ao querer mais uma vez provocar o Senhor Presidente da Junta, quando diz que este queria, arrebanhar, freguesias”.

Ao mesmo tempo, Constantino Veiga, aproveitou para se referir à proposta aprovada na última reunião de Câmara sobre o assunto da reorganização do território vimaranense. “A linguagem usada pelo Sr. Presidente da Câmara indicia e demonstra que está contra a agregação de freguesias e que receia a existência de freguesias que sejam verdadeiros interlocutores dos interesses das populações que lhe estão ligadas. O Sr. Presidente da Câmara de Guimarães, numa visão conservadora e imobilista, defende freguesias sem meios, sem população e sem voz; e que continuem a ser sucedâneos de pedintes que correm para a sede do município para conseguirem a realização de pequenas obras”, disse o presidente da Junta taipense.

Para Veiga, “a dignificação das freguesias passa pelo reconhecimento da sua dimensão e a possibilidade real de intervir no espaço público. Tais caminhos não se constroem com a existência de freguesias com espaço territorial menor a que está ligado um leque de competências e de meios paralelamente mínimo”.

A circunstância natural da freguesia de Caldelas, como pólo agregador, onde se encontram sediados um sem número de serviços (bombeiros, GNR, saúde USFs (posto médico), escola secundária e EB 23, parque de lazer, pavilhões gimno-desportivos, feira semanal, Supermercados, Farmácias, notário e grande número de entidades bancárias) leva Constantino Veiga a vaticinar que a isso se junte “uma agregação jurídica de modo a que os problemas comuns das freguesias limítrofes possam dizer respeito, do ponto de vista político e jurídico, a todos que beneficiam ou usam os serviços públicos”.

A sua intervenção viria a terminar com a acusação de que a proposta do PS deixa tudo na mesma. Que é “um faz de conta sem sentido de onde se retira unicamente a estratégia político partidária. As freguesias agregadas continuarão a ser pequenas e sem dimensão e os problemas com que se confrontam continuarão a ser os mesmos ao quadrado ou ao triplo sem que haja capacidade de resposta. O PS quer que continue tudo na mesma: freguesias sem voz, sem meios e sem competências de modo a que as freguesias se subordinem ao beneplácito da Câmara até para obras e serviços de pouca importância económica”.

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