O segundo tempo
Quinta-feira, Julho 1, 2004

1. Convém, no entanto, salientar que aquilo a que se assistiu nos últimos dias nos deve obrigar a pensar um pouco mais, na medida em que demonstra uma verdade absoluta: andámos todos deprimidos e estamos todos a precisar de algo que contribua para expurgar os nossos medos e, acima de tudo, que nos ajude a ultrapassar uma crise de identidade e económica que nos traz demasiado cabisbaixos.

2. Para um êxito desta envergadura tem que haver alguém que faça muito mais do que aquilo que nos chega pelo pequeno ecrã. Esse alguém, do ponto de vista político, fazia parte do governo que anteriormente tinha os destinos de Portugal. A nível local houve também uma vontade férrea em tirar partido de uma situação única que poderia e deveria ajudar a sanar alguns aspectos da realidade económica, desportiva e, a mais importante de todas, do desenvolvimento. O resultado está à vista de olhos: o país acelerou algumas novidades que estariam ainda presos nos gabinetes decisórios.

3. Mas outra realidade – bem mais próxima – foi modificada. Se de norte a sul do país houve animação, entupiram-se redes de telefone, animaram-se bares e discotecas – onde os golos foram comemorados com muita cerveja – a vila de Caldas das Taipas também não fugiu a esta realidade. Mesmo que publicamente não tenha aparecido nenhum ecrã, nem por isso os taipenses deixaram de festejar este europeu. Desde logo, um movimento mais anormal para esta época do ano acabou por acontecer no parque de campismo com a presença de holandeses. E, claro, a grande mais-valia que representa o hotel das Termas. Indiscutivelmente uma importante novidade para a vila. Que no decurso deste Euro 2004 teve a presença de muita gente da comunicação, principalmente do país vizinho. Que, a partir dali, faziam com maior facilidade a ponte com a Falperra, onde estava a selecção que os portugueses mandaram mais cedo para casa. De facto, este equipamento é fundamental não só para a vila, mas fundamentalmente, para uma região de que Taipas é centralidade principal. Agora estão criadas condições para que ali se possam realizar coisas importantes do ponto das actividades económicas. Será muito? Será pouco? O que importa reter é que Caldas das Taipas foi o local do concelho de Guimarães que mais sentiu a realização do europeu de futebol, logo a seguir à sede do concelho. É uma realidade que importa valorizar. E isso é o desenvolvimento. E é isso que, com toda a certeza, os taipenses mais desejam. Porque o futebol que nos animou a todos – que também nos anestesiou –, vai passar. E as preocupações do dia-a-dia vão continuar pendentes sobre as nossas cabeças.