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Os doces voltam ao Convento
Sexta-feira, Março 30, 2007

A Zona de Turismo de Guimarães leva a cabo mais uma edição da iniciativa “doçaria no convento”, a decorrer de 30 de Março a 1 de Abril, no Convento de Santa Clara. O objectivo é divulgar a doçaria conventual e valorizar os doces produzidos no Convento das Clarissas Vimaranenses

No edifício actualmente ocupado pela Câmara Municipal de Guimarães viveram outrora freiras clarissas.

Da memória dessa época subsistem alguns vestígios materiais expostos no Museu de Alberto Sampaio, concretamente a talha da sua
igreja conventual, e, documentação variada (nos arquivos, da Sociedade Martins Sarmento, Arquivo Municipal Alfredo
Pimenta e Torre do Tombo) que nos permitem conhecer a história das clarissas vimaranenses e as suas vivências.

Mas, é através da memória dos doces que faziam, hoje perpetuados nas mãos de algumas exímias doceiras vimaranenses, que o nome destas freiras mais se tem eternizado.

Infelizmente, e ao contrário do sucedido com outros conventos, não há conhecimento de documentação que reproduza o seu receituário, apenas sabemos que alguns dos doces mais afamados – o toucinho do céu e as tortas de Guimarães – foram perpetuados através das últimas freiras clarissas que,
já depois de extinto o convento, continuaram a produzi-los e a vendê-los, passando, assim, a receita de geração em geração.

Outros doces, também referidos na documentação conventual e em que as freiras clarissas vimaranenses seriam exímias, não chegaram até nós: arroz doce, broinhas de mêndoa, broinhas de amêndoa e canela, caramelo, compotas (pêra, abóbora, laranja, marmelo, pêssego, ginja, etc.), confeitos, frutas em calda (pêra, abóbora, laranja, marmelo, pêssego, figo, ginja, etc.), frutos secos, grãos doces, leite creme, marmelada, massapães, morcelas doces, ovos moles, pão de ló, queijadas, rosca de Braga, rosca de manteiga, rosca de nata, rosca doce, sopa doce…

Esta feira de «Doçaria no Convento» pretende trazer de novo ao claustro, outrora habitado pelas freiras clarissas de clausura, os doces em que elas eram exímias executantes.

Hoje, serão outros os paladares, serão outras as gentes, mas é mesmo o gosto pela doçaria, até porque, como diz o povo, «o doce nunca amargou»…

Texto de Isabel Maria Fernandes, publicado na brochura de promoção do evento

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