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Os democratas do 25 de Abril
Sexta-feira, Abril 5, 2013

Na Assembleia Municipal de Março de 2013, o actual e “ex” presidente da câmara de Guimarães, perante todos os eleitos diretos, reconheceu que sim;! É verdade! No exercício do cargo de Presidente da Câmara faz discriminação politica das juntas de freguesia em função do partido que os elegeu. Discriminação pensada, intencional e com objectivos politico/partidários.

A discriminação politica negativa grosseiramente exercida pela Câmara de Guimarães e pelo seu presidente em detrimento das freguesias que recusam a governação socialista, era uma evidência – toda a gente o sabe, toda a gente o diz. Faltava o reconhecimento expresso e oficial e logo durante o funcionamento plenário do órgão mais representativo do município. Agora, houve o reconhecimento oficial porque praticada no exercício de funções – representação do órgão Câmara na Assembleia Municipal.

A discriminação tem mais significado subjectivo para quem a sente pois motiva a revolta dos instintos mais básicos do ser humano e faz nascer uma revolta contra a injustiça que tal comportamento encerra.

Um autarca que só pensa no seu partido e, por maioria de razão, nos militantes do seu partido só pode ser um não democrata, arrastando atrás de si a desconfiança sobre o partido que o sustenta e a credibilidade do sistema democrático.

Como reagir contra o exercício arbitrário do poder municipal autista que só faz e decide no sentido que lhe aprouver – o interesse politico/partidário – desligando-se das reais necessidades das populações?

Dizem alguns que devemos ser submissos e até subservientes; que até devemos mudar de partido, como o fazem alguns em todos os ciclos eleitorais, pois o interesse das populações assim o exige.

É a posição do Presidente da Câmara de Guimarães: os Presidentes de Junta têm de ser subservientes pois, como disse, as suas competências estão limitadas aos cemitérios e caminhos vicinais que quase já não existem. E portanto, reduzam-se à sua insignificância. Têm que adorar o mestre; têm que se dar bem com ele pessoalmente. Isso de relações institucionais não existe. Quem não se der bem com ele pessoalmente também não se dá institucionalmente. É disto que gasta o concelho de Guimarães: a “fulanização institucionalizada”.

Agora já se compreende por que a maioria PS não queria, de nenhuma forma, a agregação de freguesias, pois freguesias maiores, com mais competências e com mais meios são mais difíceis de “vergar” ao poder politico/partidário municipal.

Esta forma de abordar a questão não é mais do que uma reminiscência do fascismo, o que quer dizer totalitária e não livre. Significa não reclamar o que se tem direito pois a reclamação pode cair mal ao “presidente” e as retaliações vêm a caminho. Esta forma de ver e pensar a politica não é democrática e não deve ser aceite, em caso algum, por ninguém.

A democracia constrói-se de cidadãos bem formados e esclarecidos; faz-se de Presidentes de Câmara e Presidentes de Junta que tenham voz própria, autónoma e que atendam sempre e invariavelmente às necessidades das populações. Estas é que interessam. Tudo que esteja ao lado disso é jogo, tricas politico/partidárias, estratégias de perpetuação no poder, é brincar com o dinheiro do povo. E com o dinheiro do povo não se brinca.

A democracia deve ser o resultado de homens que a servem com verticalidade, com dois pés assentes no chão e de olhos bem firmes na perpendicular.

Os que não tenham postura, que se curvam perante homens a troco de nada, porque nada há mais valioso do que a dignidade humana, devem ser chamados de insectos, porque rastejam à procura de qualquer coisa que, estou certo, não é o bem alheio.