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Os casos do acaso
Segunda-feira, Abril 24, 2006

Quem se põe a observar, de um ponto elevado, a topografia da zona ribeirinha das Taipas, não pode ficar indiferente à localização de dois blocos de apartamentos que se encontram do lado do Rio de S. João de Ponte. A construção, naquele local, daquele volume de betão, não pode ser um acaso; é mau de mais para ser um acaso. Por mais tolerante e aberto que possa ser o espírito de um observador, o contraste evidenciado por aquela mega-construção, cria repugnância.

Ainda não encontrei ninguém que justificasse, em todos os quadrantes que queira, aquela construção e também ninguém que queira assumir a sua paternidade.

O prédio Coutinho, em Viana do Castelo, e as Torres de Ofir, são exemplos presentes de que as construções de grande envergadura não podem ser construídas no lugar que apeteça a alguns; tal insensatez, pelos vistos, vai custar muitos milhões de euros ao erário público. Anda o Nosso Primeiro preocupado, desde a altura em que era Ministro do Ambiente do Eng. Guterres, com a demolição do edifício Coutinho, e ao mesmo tempo, constroem dois outros edifícios, nas barbas das Taipas, que mais parecem réplicas desse de Viana.

A estrutura concelhia do P.S, por certo, não teve a ousadia de convidar os seus ilustres governantes, para uma visita a tão aberrantes edifícios. Digo aberrantes, não pelos prédios em si, mas pela sua localização.

E se isto não é perseguição, arrisco dizer que aquelas construções foram autorizadas para prejudicar a Vila das Taipas.
Volto a dizer que os acasos não podem ser assim tão maus. Só os acasos planeados podem violar os mais elementares princípios do planeamento urbanístico.

Não foi, por acaso, um acaso que a zona das Taipas não tem uma ligação à Auto-estrada Guimarães-Braga – o célebre nó de Brito que não chegou a ser parido com vida redundando num aborto clandestino que alguns autarcas das freguesias, sob a batuta do Ex-Vereador António Castro, promoveram e assistiram com benevolência.

Não é por acaso que a ligação rápida de Guimarães às Taipas ainda só existe em promessa já muito senil. Não é por acaso que a próxima ponte sobre o Rio Ave não vai ser construída em terrenos das Taipas.

Os exemplos poderiam ser mais e mais.
Existe uma estratégia deliberada para “secar” as Taipas.

E o que fazem os Taipenses afectos à cor politica que governa a Câmara?
Aplaudem e elogiam.

É caso para dizer: “quem dá o pão dá a educação” diz o povo e tem razão.

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