PUB
Os amigos das Taipas
Sábado, Janeiro 11, 2003

O Menino Jesus ou o Pai Natal, consoante a preferência de cada leitor meu, não traz nada de substancialmente proveitoso para as Taipas.
Primeiro foi o Governo.
Invocando dificuldades atrás de dificuldades, chamando a capítulo os desmandos praticados pela governação socialista, a maioria de direita, amarrada ao dogma do pacto de estabilidade e crescimento, cortou no investimento e na despesa da administração central, relegando para as calendas promessas eleitorais. No caso das Taipas, isto implicou o adiamento do pavilhão desportivo da escola secundária.
Como se isso não bastasse, a Câmara Municipal de Guimarães, na sua política de concentração do investimento na cidade, deixou no papel obras e projectos necessários e inadiáveis, ao mesmo tempo que investe em obras não prioritárias e adiáveis. Entre investir nas Taipas e não investir no novo mercado municipal da cidade, o PS optou por sacrificar as Taipas, acentuando o muito que já nos afastava da sede do concelho.
No plano de actividades da câmara para 2003, o investimento nas Taipas é insuficiente.
Insuficiente, porque, se tudo correr como previsto, o mais a que pode aspirar é à conclusão das obras na nova feira. No rol das promessas continua a conclusão da variante de ligação a Barco, as obras de reabilitação do parque, o reordenamento do trânsito no centro da Vila.
A desculpa da Câmara com os constrangimentos impostos pelo governo, não colhe. E não colhe porque, como a CDU provou que era possível outro Orçamento com os mesmos meios. Bastava o PS ser mais aberto às propostas alheias e mais equilibrado e criativo nas soluções.
As árvores conhecem-se pelos frutos. Os amigos das Taipas pelos actos públicos em sua defesa e pelo seu progresso.
Era fatal como o destino: a maioria de direita na Assembleia da República rejeitou todas, repito, todas as propostas apresentadas pelas oposições de alteração ao orçamento geral do estado para o ano de 2003. A verdade dos factos é que a maioria PP/PSD trata as Taipas tão mal como a maioria PS a tratou anteriormente.
Para o Orçamento de 2001, eu, então deputado, apresentei ao plenário propostas de obras para as Taipas, a saber: pavilhão para a prática desportiva da Escola Secundária; recuperação do parque de lazer; restauro e salvaguarda dos Banhos Velhos. As propostas foram chumbadas pela maioria PS, com a particularidade de uma deputada socialista indicada por Guimarães ter sido cúmplice, pelo voto negativo, nessa votação.
Com a maioria PP/PSD no poder, as coisas pioraram.
Do Governo nada vem, como acabamos de explicar. E da Câmara de Guimarães também não, pelos motivos que passo a expor.
Invocando dificuldades originadas pelas opções económicas do Governo, a Câmara aprovou recentemente o seu Orçamento para 2003 onde as Taipas apenas são contempladas com as obras finais da nova feira e nem mais um prego.
Para trás, esquecidos nas páginas dos programas eleitorais, jazem promessas como a via de ligação ao putativo parque de ciência e tecnologia e a via rápida de ligação da Vila à sede do concelho, a tal que substitui o nó de acesso à auto-estrada Guimarães-Braga.
Os argumentos, as justificações são as do costume: falta de dinheiro.
É meia verdade. Porque sendo importante levar em consideração as condicionantes determinadas pela política do Governo, convém não esquecer as responsabilidades próprias, ou seja, as que resultam de opções da Câmara.
E qual é a culpa da Câmara?
As culpas da Câmara socialista derivam de opções ideológicas, que foram objecto de polémica e de rejeição, particularmente pela bancada da CDU.
A primeira opção política tem a ver com as obras no estádio do Vitória, particularmente no que respeita às obrigações do clube que o PS e o PSD decidiram fossem pagas pelo Orçamento da Câmara, logo por todos os munícipes.
A segunda opção política tem a ver com obras previstas para 2003 e que só para o PS são prioritárias, casos do novo mercado municipal e do palácio de Vila Flor.
Portanto e resumidamente, entre uma obra como a via de ligação das Taipas a Barco, que permite retirar do centro o chamado trânsito de atravessamento e cria as condições para reordenar a circulação no miolo, além de permitir a solução dos passeios, com ganhos para os peões, e fazer um mercado novo na cidade, que já tem um em funcionamento, o PS optou pela cidade em desfavor da Vila. O resto são tretas.