Os Rios Drenados
Terça-feira, Julho 7, 2015

O investigador galardoado do instituto 3Bs, Miguel Oliveira, sediado no AvePark, afirmou, na conferência “Caldas das Taipas e o Futuro” que o AvePark poderia ser um segundo rio das Taipas. A afirmação pode encerrar vários significados, positivos ou negativos; a que se reteve, foi o sentido positivo de que o AvePark seria um factor de desenvolvimento das Taipas como o deverá ou deveria ter sido o Rio Ave.

A acentuação e a centralização do Rio Ave numa qualquer estratégia de desenvolvimento da vila foi e é uma tónica comum a quem reflicta sobre as Taipas e o seu futuro. Sempre os Rios foram fundamento de crescimento e desenvolvimento de núcleos urbanos: as grandes cidades europeias foram crescendo e desenvolvendo-se na margem de rios mais ou menos importantes.
Noutros tempos a importância dos rios acontecia por razões de comunicação, transporte e recursos piscatórios.

Nos tempos que correm, a importância dos Rios contende e estende-se às margens, às zonas verdes envolventes e à própria utilização da água como elemento estético e ecológico. Por isso, um Rio só é rio se não estiver poluído e dessa forma proporcionar todas as virtualidades da água e das zonas ribeirinhas.

Encontrar um rio despoluído, na actualidade, é uma riqueza rara e valiosa, por consequência. Esta riqueza potencial, que já foi efectiva, não pode ser desperdiçada – e esta ideia é comum a todos os que pensam as Taipas e a querem como local privilegiado de residência, trabalho e lazer.

Portanto, assumir que o Rio Ave, as margens e as zonas verdes envolventes – parques – são uma estratégia de desenvolvimento das Taipas, apesar de, agora, haver unanimidade quanto a ela, não o foi assim no passado.

O Presidente da Junta, Constantino Veiga, tem acenado há mais de uma década esta bandeira. Os adversários políticos com responsabilidades concelhias assobiaram para o lado: diziam que era mais um devaneio do Tino, a despoluição do Rio Ave uma “quimera” – não é assim Sr. Administrador da Vimágua, Dr. Costa e Silva?

O poder concelhio; os adversários políticos nas Taipas, demoraram a reconhecer, a assumir que as Taipas tem um destino certo e que qualquer estratégia de desenvolvimento – não é o mesmo que crescimento quantitativo – passa pelo Rio e pelas suas margens. E neste aspecto, andam atrasados em relação ao Constantino Veiga entre 15 a 20 anos. E foi por este autismo determinado por daltonismo partidário que as Taipas se esvaziou… Era tempo, com contrição, de começar a encher os dois rios drenados pelos poderes de Santa Clara: o de água e o do conhecimento.

Assim o espero.