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Orçamento e Plano Plurianual
Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

Diga-se, desde já, que as enormes expectativas criadas pelas promessas eleitorais, bem como pelo slogan “Vamos Mudar”, incessantemente repetido, saíram completamente defraudadas após a análise daqueles documentos.
Em relação ao Plano Plurianual, o seu texto introdutório mais parece um manifesto do movimento “Taipas a Concelho”, tal é a constante referência ao “recrudescimento das pretensões autonómicas”. De resto, acrescentemos que não se percebe em que benefícios se poderão traduzir, para a freguesia, o imenso rol de críticas feitas à Câmara Municipal de Guimarães. Críticas estas feitas pelo partido que afirmou, em campanha eleitoral, que pretendia “restabelecer as boas ligações com o município”.
Na análise deste plano, chamamos a atenção para algumas obras que constavam do programa eleitoral do partido vencedor e que, agora, não foram consagradas neste documento: descentralização de serviços da Câmara Municipal; criação de postos livres de Internet; loja de apoio ao cidadão; apoio à construção do centro pastoral; recuperação dos banhos velhos; criação de centro de formação profissional; e promoção do emprego.
Para além destas, sugerimos, embora em vão, que fossem introduzidas também as seguintes obras: alargamento do cemitério (cuja capacidade, certamente, se esgotará neste mandato); e construção da sede dos escuteiros.
Curiosa foi a alteração de estratégia do executivo no que diz respeito ao tão anunciado lar de idosos. Uma obra que, no programa eleitoral, se prometeu “construir”, agora apenas se promete “promover o seu aparecimento”. Isto tem um nome e chama-se desonestidade intelectual e pura demagogia na caça do voto sem olhar a meios!
Relativamente ao orçamento para o ano 2006, a primeira nota é para referir que o mesmo apresenta um decréscimo de 7.475,04 euros o que, só por si, já é negativo. Mas pior, as despesas correntes aumentam 7.834,00 euros (2,8 %), enquanto que as despesas de capital, destinadas a investir em obras, diminuem 15.309,04 euros, (15,5 %).
Tudo ao contrário do que ditam as boas regras de gestão!
Mereceu também a nossa crítica o aumento da rubrica destinada à consultadoria, que subiu de 2.000 euros para 5.000 euros (destinada à contratação de técnicos de contas e advogados para prestarem apoio à Junta) e o aumento das despesas com as festas de S. Pedro, que sobem de 50.000 euros (número por si só já excessivo) para 82.000 euros, o que representa cerca de ¼ do orçamento. A Junta transforma-se, assim, numa mera Comissão de Festas!
Esta reunião ficará ainda para a história por ter sido aprovado um orçamento que contempla, pela primeira vez, uma verba, no valor de 6.500,00 euros, destinada à remuneração do presidente da Junta. Vale a pena aqui lembrar as palavras do Sr. Arq.º Constantino Veiga, na sua carta de apresentação de candidatura: “Nunca em caso algum me servirei (…) da Junta de Freguesia para proveito próprio” e “(…) não procuro protagonismo político algum e com ele arranjar emprego, como também não procuro trabalho para proveito próprio.” (sic) . Mais uma vez se confirma que as palavras da campanha contradizem as acções deste executivo!
Em tempo de crise não seria mais proveitoso aumentar o apoio às escolas primárias, às instituições e associações da vila (contempladas com uma verba de apenas 0,2 % do orçamento) e promover obras de raiz?
Todas estas questões, entre outras, foram colocadas ao presidente da Junta. Respostas nenhumas. Valha-nos, de quando em vez, a boa vontade (embora muitas vezes se fique apenas por aqui) do tesoureiro da Junta que lá vai tentando responder a algumas perguntas, substituindo-se ao presidente do executivo.

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