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O que é nacional é (muito) bom
Sexta-feira, Junho 8, 2012

No panorama musical, o mês de Maio foi fortíssimo a nível de lançamentos: tanto a nível internacional com nomes como Beach House, The Walkmen ou Temper Trap a trazerem à baila novos registos, mas também a nível nacional. É precisamente no que por cá foi feito que me vou centrar, nomeadamente no disco novo dos Orelha Negra e num novo projecto musical chamado Memória de Peixe.

Em primeiro lugar, vou falar do regresso dos Orelha Negra, com o seu segundo registo de originais intitulado simplesmente de “2012”. Depois do disco de estreia ter conquistado o público e a crítica, os Orelha Negra lançaram no mês de Maio o segundo trabalho de originais e o resultado do mesmo não poderia ser melhor. O primeiro avanço foi o single “Luta” e, actualmente, já se pode ouvir nas rádios o segundo tema “Throwback”.

Para os mais distraídos, este grupo musical é formado por artistas de várias bandas – por isso, podemos ver influências que vão desde o Disco Sound ao Hip-Hop – e baseiam as suas músicas em samples de outros temas, tocando-os ao vivo. Se no primeiro trabalho o Soul e o Hip-Hop eram os géneros predominantes, neste novo disco os Orelha Negra exploram novos horizontes com influências mais heavy, Funk, Bossa Nova ou Gospel. O resultado final é um disco repleto de sinestesias e que nos fazem viajar pela história da música desde os anos 60 até aos dias de hoje.

De uma forma geral, este ano de 2012 tem sido muito bom para a música nacional, com o álbum de estreia dos Supernada, banda liderada por Manel Cruz, com o regresso de nomes como Dead Combo, Doismileoito, Os Pontos Negros ou Diabo na Cruz, mas também com o aparecimento de novos valores para o futuro da música nacional, como o novo grupo chamado Memória de Peixe.

Editado pela Lovers & Lollypops os Memória de Peixe acabem de lançar o seu EP de estreia e afirmam-se como um grupo musical bastante promissor. São um duo formado somente por guitarra e voz: até aqui nada de novo. O que realmente torna este projecto inovador é a forma como as músicas são construídas, através de repetições da guitarra em Loop e num concerto ao vivo podemos ver a construção dessas mesmas repetições em tempo real. Apesar de ser o primeiro registo de originais, conta já com algumas participações importantes como Carlos Bica ou Catarina Salina, vocalista dos Best Youth.

Numa altura nada fácil para o nosso pais, onde parece faltar tudo e não haver solução para nada, pelo menos a criatividade na música é coisa que não parece faltar. É caso para dizer que o que é nacional é (muito) bom.