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O povo é que paga
Terça-feira, Maio 30, 2006

Eu tinha pensado falar-vos hoje do mais paradoxal dos partidos políticos portugueses, justamente aquele de quem o seu responsável maior disse um dia que funciona como uma banda ou como aqueles países africanos onde cada vez que o presidente se ausenta para o estrangeiro acontece um golpe de estado. Mas não o vou fazer, porque acredito que mais vale ter partidos assim do que viver em partido único, como no antes do 25 de Abril.

Também tinha projectado falar-vos das catastróficas previsões dos sábios do FMI e da OCDE, cujos relatórios são a antevisão do inferno que vai ser a vida de quem de seu só tem a força de trabalho. “eles andem aí” a preparar o terreno para novas investidas contra os direitos sociais que o governo de turno se encarregará de apadrinhar, sempre em nome da modernidade, da competitividade, da produtividade. Mas não vou falar disso, porque prefiro ser conservador de ideias e matérias que continuam a ser avançadas, a revolucionário de causas velhas disfarçadas de modernices.

Tinha ainda pensado falar-vos daquela oposição com estilo que discursa erguendo a mão direita que baixa para depois erguer a esquerda e fala sem nada de novo dizer. Mas eu prefiro a substância ao estilo e ao gesto e bonecos por bonecos prefiro os Bonecos de Santo Aleixo ou o Teatro de Robertos dos outros saltimbancos.

Também não vos venho falar dos dias de balbúrdia na Assembleia da República. Os deputados dão tiros nos pés, fazem mais contra si mesmos do que muita campanha difamatória contra a política e os políticos. Mas mais vale uma Assembleia da República a trabalhar mal do que uma Assembleia Nacional a trabalhar bem. Além disso eu tenho fé que as coisas vão mudar, como bem demonstrou o presidente da Assembleia ao “obrigar” a sucessivas votações até que a proposta da maioria vença.

E não vos venho falar de nada disso, porque matéria mais relevante reclama a atenção e há momentos na vida que temos de fazer opções, deixando de fora o que no confronto tem menor importância. Ao impedir as comemorações oficiais do 25 de Abril na Madeira, o presidente do governo da Região Autónoma cuspiu no prato onde come e justifica não pode ficar sem uma resposta à altura do agravo.

Sem nunca confundir o chefe com o Povo, eu protesto e fico à espera que o PSD e não só diga se subscreve ou sequer tolera a insolência. Mas digo mais, na minha qualidade de cidadão contribuinte. Parte dos meus impostos é canalizada para a Madeira, ao abrigo de uma Lei de Finanças Regionais desajustada da realidade. A Madeira deixou de ser uma região pobre, segundo os critérios de Bruxelas. É, ainda segundo esse critério, a segunda região mais rica de Portugal. Então, eu, praticante confesso de política com ética, entendo ser insustentável os meus impostos e os dos contribuintes de Guimarães, subsidiarem quem já vive melhor do que nós e recomendo aos órgãos autárquicos municipais que responsavelmente exijam a revogação da citada lei, para que, além do mais, não sejam sempre os mesmos a pagar a crise.