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Oposição volta a questionar a falta de ligação da autoestrada ao Avepark/Caldas das Taipas
Quarta-feira, Março 26, 2014

Ricardo Araújo e André Coelho Lima (coligação Juntos por Guimarães) voltaram a trazer o assunto à reunião de Câmara, após a Farfetch retirar serviços existentes no Avepark, por falta de acessos rápidos

Depois de ter vindo a público que a Farfetch, empresa a laborar a partir do Avepark, iria deslocalizar para Matosinhos parte dos seus serviços, alegando a falta de acessos rápidos ao polo tecnológico, a questão das acessibilidades a Caldas das Taipas/Avepark voltou a dominar o debate político na última reunião de Câmara.

Ricardo Araújo, vereador do PSD, manifestou a sua preocupação por esta tomada de posição da Farfetch, pois, como referiu, trata-se de uma empresa que conta com cerca de 200 empregos qualificados, representando uma perda para Guimarães a deslocalização de parte dos seus serviços para Matosinhos. A questão dos argumentos evocados, falta de acessos rápidos ao Avepark, levou a que Ricardo Araújo questionasse o presidente da Câmara se a ligação ao Avepark era efetivamente uma prioridade para Guimarães, defendendo que a Câmara deveria “assumir as suas responsabilidades”, mesmo sem apoios do governo nacional ou comunitários.

O líder da coligação Juntos por Guimarães, André Coelho Lima, corroborou estas mesmas ideias, acrescentando que a atual estrada nacional 101 tem condições para ter quatro faixas de ligação entre Caneiros e a zona das Taipas, para um orçamento de seis a sete milhões de euros, “é muito dinheiro para a nossa Câmara, mas não é dinheiro que já não se tenha gasto e em coisas menos prioritárias”.
Recuou no tempo para referir que é o PS que tem gerido o município há 25 anos e que a obra deveria ter sido feita logo no início do Avepark e que houve “incompetência de quem não a fez”. Confrontado se, no passado, a obra não teria avançado com “o medo do concelho das Taipas”, Coelho Lima começou por dizer que tinha vontade de “dizer uma coisa feia”. Estabeleceu um paralelo entre Vizela e Caldas das Taipas afirmando que as populações das duas localidades “têm uma história que deve ser respeitada” e que em “Vizela foi secar até se criar o concelho e o que se tem feito nas Taipas é secar”. Concluiu que essa é uma estratégia errada e que se a Câmara não investiu por medo à criação do concelho das Taipas, terá sido “uma decisão estúpida”.

Torcato Ribeiro, da CDU, lamentou o facto de se ter criado uma área para captar investimento e se ter falhado em algo fundamental, como as suas ligações viárias.

O presidente da Câmara, Domingos Bragança, voltou a afirmar que a ligação rápida ao Avepark é da responsabilidade da administração central, “hoje, no passado mais recente e mais remoto”. Relembrou que a Câmara teve, desde há vinte anos, nos seus planos e orçamentos, a ligação rápida a Caldas das Taipas e ao Avepark, não desistindo de chamar o governo à responsabilidade da construção desta via. Reconheceu que se trata de um processo que se arrasta há vinte anos e que está a causar problemas ao nível do desenvolvimento concelhio e regional. Domingos Bragança fez questão se afirmar que a construção da via em causa tem o apoio da CIM do Ave e do Cávado, do Quadrilátero e da CCDR-N.
Se alguém poderia ter algumas dúvidas sobre que tipo de via se estava a referir, o presidente da Câmara de Guimarães foi claro, “Não estamos a falar de requalificações de estradas, caso da nacional 101, nesta continuaremos a apostar na sua recuperação. Tem que ser uma vida dedicada ao Avepark por que senão, não poderemos concorrer aos fundos comunitários, no âmbito de ligações a parques de ciências e tecnologias. Se não for possível através do governo vamos conseguir através do próximo quadro comunitário. A Câmara assumirá os vinte por cento da obra, porque quer, de vez, resolver, sem passar mais vinte anos, sem esta via rápida, trata-se de uma obra fundamental”.

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