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Oposição critica o timing da apresentação da proposta de revisão do PDM
Domingo, Abril 19, 2015

Os vereadores da coligação Juntos por Guimarães (JpG) e da CDU não pouparam nas críticas ao executivo liderado por Domingos Bragança, por este ter dado “somente” dois dias para a análise à proposta de revisão do PDM, que viria a ser aprovada na reunião de Câmara do dia 16 de abril

Os vereadores da oposição apontam o facto de a aprovação da proposta de revisão do PDM não ter entrado na ordem de trabalhos recebida pelos vereadores na sexta-feira e de somente ter aparecido, na ordem de trabalhos final, na segunda-feira.

Torcato Ribeiro, vereador da CDU, viria a abster-se nessa votação por considerar que perante a importância para o concelho do novo PDM, o documento deveria ter sido apresentado com maior antecedência aos vereadores: “Sendo um documento importante, que vai decidir a gestão do território concelhio nos próximos dez anos (e se for como este será para vinte anos), deveria ter havido um espaço mais alargado para apresentação. Achamos que houve um procedimento que não nos permitiu uma discussão mais aprofundada e reservamos, assim, a nossa posição, para a próxima Assembleia Municipal”.

Coube a Ricardo Araújo, face à ausência de André Coelho Lima, defender o voto contra do PSD. O vereador social-democrata considerou “o curto espaço de tempo que nos foi dado para analisar essa proposta” como um “desrespeito pela oposição, pelos cidadãos e pela democracia em geral”. Acrescentou ainda que no processo de revisão do PDM iniciado em 2002 “todos os prazos foram ultrapassados, com prejuízo de Guimarães. Sempre manifestamos a nossa preocupação pelo facto de um documento estratégico não ser revisto e de repente, em dois dias, tínhamos de tomar uma decisão!”. Tal como o vereador da CDU, Ricardo Araújo remete para Assembleia Municipal uma posição sobre o documento agora aprovado.

O vereador do CDS, Monteiro de Castro, começou por dizer que o voto contra a proposta de revisão do PDM foi “um voto de protesto”. Muito duro nas críticas, afirmou que o facto de este ponto não constar na ordem de trabalhos enviada na sexta-feira e somente na segunda-feira, revela “uma intenção premeditada” e que ficou “desgostoso e desconcertado com esta forma de estar na política”. Partilhou a ideia do seu colega de coligação ao acrescentar que “não houve consideração para com a oposição”, por parte do executivo.

A existência de uma reunião prévia com a equipa técnica responsável pelo novo PDM foi outro dos pontos que reuniu unanimidade na oposição. Monteiro de Castro questionou mesmo se a equipa terá tido em conta o novo enquadramento resultante da lei de ordenamento territorial recentemente aprovada. Sobre isto, afirmou que recebeu por parte da maioria socialista “uma resposta estropiada”, deixando no ar se “estaria a falar português”!
Torcato Ribeiro defendeu igualmente uma reunião com a equipa técnica, pois discorda da ideia deixada por Domingos Bragança de que os “agentes políticos têm de estar preparados para analisar os processos em curso”, justificando que os políticos, nestes condicionalismos, “não temos de saber tudo nem sabemos tudo”.
Ricardo Araújo sustentou essa defesa com o facto de o PSD ter grupos de trabalho no terreno a acompanhar esta temática e com os quais o PSD não teve tempo para reunir e, assim, “sistematizar a nossa posição”.