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O poder que entra ao jantar
Quarta-feira, Dezembro 11, 2002

Neste número queria reflectir um pouco sobre o poder da comunicação social, em particular a televisão.
Surgiu esta minha reflexão, motivada pelos recentes casos que têm abalado toda a nossa vida social nestes últimos tempos.
Para aqueles mais distraídos e sem qualquer tipo de sobranceria, aquilo que nos entra em casa todos os dias, principalmente à hora do jantar, pelas televisões, dá a nítida sensação de que hoje o poder e capacidade de investigação jornalística supera em larga escala o poder das instituições judiciais do nosso país. Ficamos quase, e muitos totalmente, convencidos que as instituições do Estado são uma fraude e não funcionam. Mas como podemos constatar, as televisões, pelas audiências e cobertura que têm, poderão por vezes, à custa dessa desenfreada conquista de audiências, cometer e provocar danos irreparáveis nas vidas de cidadãos, que até prova em contrário, serão inocentes.
Vem isto a propósito do escândalo relacionado com a pedofilia na Casa Pia, instituição do Estado e que envolve o mediático Carlos Cruz.
Sem querer julgar quem quer que seja, acredito, por aquilo que conheço e por aquilo que ouvi do Sr. Carlos Cruz, que ele era incapaz de estar envolvido e de cometer tais crimes.
Mas, meus amigos, o Sr. Carlos Cruz nunca mais se vai livrar desta “nódoa”, porque como ele disse e muito bem enquanto houver um português a duvidar da sua inocência, nunca poderá dormir em descanso.
Por isso, e sem querer criticar, até louvo o trabalho jornalístico, que nos tem ajudado a nós comunidade, a descobrir determinados crimes e escândalos, que por vezes estariam “esquecidos”. Só um alerta: é preciso ter muito cuidado, quando se envolve nomes de pessoas, porque a troco de uma liderança pontual nas audiências poderão estar a destruir toda uma vida.
Eu sou dos que penso que só os tribunais é que têm o poder de julgar e condenar, e temos assistido por vezes, a autênticos julgamentos e linchamentos públicos de pessoas e instituições que só à posteriori, lhes é feita justiça.
Sem mais despeço-me até ao próximo número.

E viva as Taipas.

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