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Ontem a Tunísia, hoje o Egipto. Quem será amanhã?
Segunda-feira, Fevereiro 7, 2011

Um grupo de estudantes pediu-me que alinhasse umas letras, curtas e de fácil entendimento, sobre o FMI.

Perguntei-lhes se estavam mesmo interessados nessa matéria, argumentando que o FMI é uma moda ou o papão dos nossos dias com que os famigerados mercados, e seus apaniguados políticos, procuram assustar as vítimas que levantam problemas ao seu (deles, mercados) domínio.

À direita acena-se com o FMI como forma de encostar o PS às tábuas, obrigando-o a adoptar a política anti-social em curso, sob pena de, caso o não faça, dar ao presidente da República o pretexto para dissolver o parlamento e provocar eleições antecipadas num tempo que cai fora do tempo em que os socialistas se importam menos que isso aconteça, porque se preveniram entretanto, acelerando a campanha eleitoral que nunca abandonaram desde 2009, ano das últimas eleições legislativas.

Do lado do PS, o fantasma do FMI serve para justificar as malfeitorias que vem fazendo e para calar a sua franja mais à esquerda, forçando a aceitação pela violência das políticas que o PSD exige e seguramente não executaria caso estivesse no poder.

É por isso que a antecipação das eleições não serve a estratégia do PSD para chegar ao poder, enquanto houver direitos sociais para destruir e os “mercados” e outros exploradores e vampiros do povo não se sintam seguros para gozar o banquete do que resta de Abril. Na tentativa de se manter no poder a qualquer preço e de garantir aos boys e aparentados o festim que os faz salivar todos os fins de mês e por cada ano que se aguentam, o PS vai de cedência em cedência até ao dia em que o PSD se der por satisfeito e prescindir dos seus serviços.

Mas o papão do FMI também é marioneta manobrada pelo PS como jogada eleitoral.

Sabendo bem qual o sentimento do povo e a memória que o povo tem do que foi e as tormentas que passou quando PS+PSD franquearam as portas ao mostrengo, o PS, ao falar a propósito mas sobretudo a despropósito que se opõe à vinda de tão filantrópica instituição capitalista, visa sossegar a sua ala mais progressista e democrática ao mesmo tempo que esá a preparar hoje um dos argumentos eleitorais a usar na próxima campanha: contra os desejos do PSD, do CDS e dos abutres de bico afiado que pairam sobre a nossa economia, o PS esteve na primeira linha das barricadas!

Eu, a quem as encenações mediáticas do PSD e do PS não enganam, mas enganam muitos, não tenho dúvidas que o FMI não vem apenas e só porque as suas famigeradas receitas estão a ser executadas e servidas por José Sócrates e companhia, com a vantagem de o povo demorar a perceber. Mas quando perceber, como na Tunísia e no Egipto ou em Portugal de 1974, os vendilhões da nossa independência que se cuidem.