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“Olheiro” a tempo inteiro
Sexta-feira, Abril 5, 2013

Um contrato, um compromisso ou, mais na moda, um protocolo estabelece-se entre, pelo menos, duas partes contratantes ou outorgantes, no qual se fixam os termos desse compromisso. Cada um fica a saber, preto no branco, aquilo que lhe cabe cumprir para que, como resultado, ambos vejam satisfeito um desígnio comum, que do esforço de cada uma das partes, aportando recursos, ações, estratégias ou prescindindo de algo que lhe seja exclusivamente destinado, possa contribuir para a construção de uma solução útil para ambos ou para terceiros.

De regresso ao tema das ofertas desportivas, dirigidas às crianças, jovens ou adultos, a que já me referi há tempos, a propósito da Cidade Europeia do Desporto, vejo-me na obrigação de apelar à clarificação de algo que, talvez por culpa da minha ignorância, ainda não consegui entender.

Têm vindo a ser contactadas as escolas do Concelho no sentido de estabelecer um protocolo. Até aqui, nada a opor, ficando cumprida a primeira premissa da existência de, pelo menos, duas partes: uma que tem a ideia, seja ela a “Tempo Livre” ou outra instituição, e uma escola ou Agrupamento de Escolas. O assunto, relacionado com a prática desportiva, também não deixa dúvidas.

Se os meus estimados leitores imaginam que as duas partes se comprometem, seja no que for, tirem daí a ideia.

A escola continua a fazer o que sempre fez, dando notícia da descoberta de eventuais talentos desportivos, a troco de absolutamente nada, da parte de um segundo outorgante “passivo”.

A expectativa de que pudesse ser acrescentada alguma condição para a prática desportiva, algum material ou uma bola que fosse, fica no vazio total.

Transformar a Escola em “olheiro” a tempo inteiro merecia, no mínimo, um “chupa-chupa” como contrapartida.

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