Olhar nos olhos a memória de Guimarães
Quinta-feira, Abril 28, 2016

Inicio esta colaboração com o Reflexo Digital dizendo que é uma honra escrever numa publicação que, em tempos mais recentes, passei a acompanhar com atenção, e que constitui um exemplo de bom jornalismo, de pluralismo e de dedicação à nossa terra.

E começo, recuando uns dias ao passado dia 25 de Abril, data em que foi inaugurada a Casa da Memória.

Várias notas são de realçar a propósito da inauguração. Desde logo a enorme quantidade de vimaranenses que acorreram a assistir ao evento. De todas as partes do concelho muitos dos nossos concidadãos quiseram associar-se à festa e ver com os seus próprios olhos a memória que ali se encontra patenteada.

Como um daqueles que fizeram a sua primeira visita, devo dizer que fiquei muito bem impressionado com o que vi. Claro está que, dadas as circunstâncias, a viagem foi demasiado apressada e não me permitiu fruir verdadeiramente daquele espaço. Nos próximos dias tratarei de regressar, agora com mais tempo, para saborear devidamente tudo o que ali se encontra. A primeira impressão, todavia, foi claramente positiva e os comentários que fui ouvindo, iam no mesmo sentido.

Claro está que, numa altura com esta, há sempre quem prefira ficar agarrado ao processo em vez de contemplar o resultado. Não ignoro que o trajeto percorrido desde 2012 até aqui não foi sempre linear, assim como não ignoro que o desejo de todos seria que a Casa da Memória tivesse sido inaugurada há mais tempo.

Mas tudo isso é instrumental se comparado com o resultado final. Porque se há coisa que Guimarães habituou a todos é a fazer bem. Sejamos claros: estando a obra física (da responsabilidade única e direta do Município) há muito concluída, fácil era ter inaugurado a dita há muito tempo.

Enchia-se a casa de conteúdos pouco pensados ou pensados à pressa, marcava-se uma data, cortava-se uma fita e já está. Menos um assunto para o poder político se preocupar.

Mas, em Guimarães, não somos assim. Habituamo-nos a fazer e a fazer com qualidade. Tornamo-nos (e bem) exigentes. Para connosco próprios e para com quem nos governa. E porque somos assim, revemo-nos no resultado final. E temo-nos sabido sempre focar no essencial e deixar para trás o acessório.

Porque lá diz o provérbio chinês: “quando alguém aponta para a lua, o tolo, olha para o dedo”.

Deputado municipal eleito pelo PS
José João Torrinha