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Olha para o que eu digo, não para o que eu faço
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

Cumpridos mais de dois anos de mandato do actual executivo da freguesia de Caldelas, apareceram os naturais balanços, nos órgãos autárquicos, na imprensa e na blogosfera.

Constata-se que com o novo poder autárquico local, os apregoados desenvolvimento e crescimento da freguesia e da vila saíram gorados. É praticamente unânime (salvo para alguns indefectíveis sociais democratas e alguns resistentes seguidores do Arq. Constantino Veiga) que a vila parou e que as promessas feitas em campanha eleitoral não estão a ser cumpridas.

A Junta de Freguesia, ciente deste fracasso, e à falta de capacidade para inverter o cenário, tem acusado a Câmara Municipal de Guimarães e o seu presidente de serem os principais responsáveis pelo não cumprimento daquelas promessas eleitorais.

Não me vou pronunciar sobre a questão de saber quem atirou a primeira pedra – leia-se calhau; mas uma coisa é inegável: as relações entre a Junta de Freguesia de Caldelas e a Câmara nunca foram tão más.

Mas, voltando ao assunto das promessas eleitorais, importa salientar dois pontos que contradizem e descredibilizam esta Junta e lhe retiram legitimidade para formular tais acusações.

O primeiro ponto prende-se com o facto de este executivo não estar a cumprir uma série de promessas eleitorais feitas que em nada se relacionam com o Município e que não necessitam do apoio deste.

Lendo o programa eleitoral, são exemplos disso: o atendimento nocturno na sede da Junta; a promoção de campanhas de sensibilização e educação ambiental; a promoção de parques infantis em zonas habitacionais; a promoção de iniciativas do género “Caldas das Taipas saudável”, através de campanhas de educação para a saúde e de prevenção da toxicodependência; promoção de espaços e programas de ocupação de tempos livres para os jovens; estimular a produção literária e artística da vila; e a criação da marca de qualidade de cutelarias na vila, entre outras.

A par disso, recordo as palavras do actual Presidente da Junta, no debate eleitoral promovido por este Jornal, quando afirmou que “a nossa candidatura apresenta projectos para fazer. Porque são coisas que, a priori, não vamos pedir dinheiro à Câmara Municipal”, fim de citação.

Ora, perante isto como se pode acusar a Câmara e o seu presidente de serem os responsáveis pelo não cumprimento das promessas eleitorais?

O segundo ponto é de natureza económico-financeira.

Este executivo, desde a sua eleição e de ano para ano, tem apresentado sucessivos orçamentos em que as despesas correntes não param de aumentar e, pelo contrário, as despesas de capital ou investimento decrescem de orçamento para orçamento, contrariando todas as regras e boas práticas de gestão.

Ou seja, gasta-se cada vez mais dinheiro em pagamento de despesas do dia-a-dia, de pessoal, de avençados, de consultores e de outros colaboradores com vínculos mais ou menos precários, muitos deles dispensáveis, sem nunca se perceber que frutos daí são colhidos; dinheiro esse que se retira das rubricas para obras e investimentos que a vila tanto precisa. Com tão má gestão não é possível fazer obras e investimentos, porque o dinheiro, entretanto, já se gastou.

Ora, perante isto como se pode acusar a Câmara e o seu presidente de serem os responsáveis pelo não cumprimento das promessas eleitorais?

Com esta atitude, e para que não perca as eleições autárquicas que depressa se aproximam, o actual executivo terá de continuar a adoptar a postura do “olhem para o que a Junta diz e não para o que faz” e contar com a muito boa vontade e alguma ingenuidade dos eleitores… veremos o que acontecerá…

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