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Olha para o que eu digo…
Quarta-feira, Maio 31, 2006

Sabe-se por aí que um dos maiores bancos portugueses praticamente não admitia mulheres no seu quadro de pessoal. As razões dessa opção são bem conhecidas: a maternidade, para já, ainda é exclusivo das mulheres e só elas é que poderão “gozar” a licença de parto. A duração desta licença tem vindo, sucessivamente, desde o 25 Abril aos nossos dias, a ser aumentada. E quem exige aos seus empregados isenção de horário e dedicação exclusiva não pactua com essas mundivivências. Esta introdução quer dizer que, neste banco, a discriminação em função (feminino/masculino) do género é filtrada na admissão.

Estas opções privadas nunca foram ostensivamente postas em causa por governo nenhum e principalmente pelos governos do Partido Socialista que, no passado, inventaram um ministério a que chamaram da igualdade e que era presidido por uma mulher, (Maria Belém) em 1999.

A obsessão do Partido Socialista pela igualdade entre géneros não é de agora, remonta, portanto, há alguns anos. Para dizer que, estando em maioria no Parlamento, o Partido Socialista viabilizou a Lei das Quotas. Significa essa lei que as listas concorrentes às eleições deverão inscrever uma percentagem mínima de mulheres.

As pessoas que já lidaram minimamente com o funcionamento dos partidos sabem muito bem que os seus candidatos são os seus militantes; um militante aplica o seu tempo ao serviço do partido; dedica-se ao partido; candidata-se aos seus órgãos; e terá a recompensa de constar nas listas de candidatos às eleições locais e nacionais. Um militante verdadeiro é-o desde pequenino, começando pelas Jotas até aos seniores. Desde muito novos, os militantes das Jotas estão dedicados ao seu partido tendo, por isso, que ter liberdade de deslocação e liberdade de se ausentarem, até pela noite dentro, de casas dos seus pais. Esta forma de adquirir curriculum ao serviço do Partido, na estrutura social ainda vigente, ainda é claramente favorável aos militantes masculinos. Na verdade, mal ou bem, os pais são muito mais complacentes em “libertar” os rapazes para essas actividades do que as raparigas, principalmente quando essas ausências do domicilio se prolongam noite dentro.

Este modo de ser estrutural, que ainda nos carateriza embora de maneira bem diferente de há alguns anos, implica que os rapazes, e depois senhores muito respeitáveis que nos governam, apareçam, nos cargos políticos, em maior número e em lugares de mais destaque que as raparigas/mulheres.

Por isso, entendo que a Lei das Quotas é a revelação da esquerda ao seu pior nível. A esquerda que quer, pela via política, determinar a transformação da sociedade em vez de a deixar seguir o seu curso. A esquerda que, acima de tudo, quer garantir pela via formal (aprovação de leis) o que a sociedade real ainda não está preparada para cumprir. A esquerda que se satisfaz com as aparências, que defende a igualdade e a solidariedade e pratica o individualismo e a ostentação, porque a solidariedade (às vezes também caridade) deve ser pedida ao “capital”: não olhes para o que eu faço e sim para o que eu digo – quer dizer a esquerda recorrentemente.

A lei das quotas é acima de tudo ofensiva para as mulheres. Procura igualá-las pela força da lei quando, sabemos, elas já dominam pela competência. Considera-as um género sem oportunidades e classifica-as num plano inferior.

Não foi necessário qualquer lei, a não ser o principio da igualdade vigente, para que as mulheres usurpassem, pela competência claro, as universidades, os tribunais, as escolas, etc… Não necessitaram de ajudas dos “socialistas” cujo desejo recalcado é serem “verdadeiros capitalistas”, isto é, egoístas, desiguais e discriminadores, para vencerem e dominarem nos sectores da sociedade de maior relevo.

O Governo do Eng. Sócrates é o executivo que menos mulheres tem a liderar os seus ministérios desde há dezenas de anos.
Abomino os que defendem uma coisa e depois praticam outra. Abomino os que atacam o capital e servem-se dele. Abomino o “Lobo com pele de Ovelha”. Abomino velhos “slogans” que os hipócritas não deixam de usar.

A transformação da sociedade começa por ti; tu é que te tens de transformar para teres pretensões para mudar a sociedade. Este principio cristão jamais deixará de perdurar para servir de tábua para julgar as acções humanas.

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