O futuro é agora
Segunda-feira, Maio 31, 2004

1. Para, hoje, se ser Homem de forma plena é necessário ser informado. E o direito à informação é permanentemente reivindicado por uma Humanidade cada vez mais ávida do saber e do conhecer. Porque o homem contemporâneo quer estar ligado a tudo o que determina o seu destino. E, em frente do seu futuro, não admite ser um cego conduzido pela mão. Mas para que tal possa acontecer não nos podemos esquecer que quando a imprensa nasceu causou medo e foi preciso mais de um século – marcado por uma luta constante que levou à conquista do direito à expressão –, para alcançar o Poder e o reconhecimento da liberdade. Sem a qual não há informação. Daí que se um órgão de comunicação agir, sentindo que não tem obrigação de incomodar, só lhe resta a solução de retirar-se para a margem de quem vai comandando os destinos da sociedade actual.

2. É hoje indiscutível que a imprensa regional tem dado ao Desenvolvimento um contributo fundamental. No entanto, todos temos consciência de que ela nem sempre tem desempenhado o seu papel da forma mais conveniente. Porque não pode estar virada para o caciquismo e a subserviência. Nem ser rampa de lançamento político. Tem, isso sim, que ser uma tribuna para todos os actores do desenvolvimento. Que implica progresso, mudança e crescimento. E, consequentemente, pessoas e o trabalho com e para com elas. Em suma, a imprensa regional tem a tarefa fundamental de criar uma opinião pública atenta, esclarecida e participativa. Exercendo o seu papel de meio de comunicação específico das comunidades locais. De forma séria, cuidada e esclarecedora. Dando credibilidade aos acontecimentos, venham eles de onde vierem. Sem facciosismo. E não esquecendo que a sua função é, apenas, dar notícias. Afinal de contas, num mundo cada vez mais globalizado, a imprensa regional – principalmente a de cariz local – tem o papel fundamental de reacção contra a uniformização criada pela hegemonia dos gigantes mediáticos. Sendo uma forma de reacção e de defesa das pequenas comunidades que sentem a necessidade de um contacto mais directo e mais humanizado. Não é por acaso que nos últimos tempos começaram a surgir jornais locais que, também eles, sentiram necessidade de dar as respostas que a imprensa regional, principalmente a das cidades – às vezes bem próximas –, vêm sistematicamente ignorando.

3. É neste contexto que saúdo a reconversão do ‘velho’ “Reflexo”, mas, principalmente, enalteço o aparecimento da sua versão digital. Assim, não será só a vila das Taipas que sairá reforçada. Mas todas as freguesias circunvizinhas. Com informações que escapam – demasiadas vezes, diga-se –, aos títulos já existentes. Sejam de âmbito nacional ou de cariz mais local. Vinca-se, assim, de forma bem clara, a difusão dos modos de ser e de agir das comunidades locais existentes ao redor da vila. Tantas e tantas vezes esquecidas. E o imediatismo do “on line” que será o “Reflexo” na rede, agitará o papão do comodismo, da passividade e do esquecimento. E lembrará, para além das margens do Ave, que a vila das Taipas não é só um local de passagem entre Guimarães e Braga. Mas um espaço de identidade peculiar. Que não se esgota nas termas ou nos talhares.