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O futuro de Caldas das Taipas marcou o início do Ciclo de debates sobre a vila
Segunda-feira, Junho 15, 2015

Miguel Peixoto Oliveira, CEO e presidente do conselho da EDIGMA, e Joaquim Miguel Oliveira, investigador principal do Grupo 3B´s, foram os dois convidados para perspetivar os caminhos a seguir por esta região

Até que ponto Caldas das Taipas pode ter a visão e a atitude de uma start-up?, foi uma das questões que dominou a intervenção de Miguel Peixoto Oliveira, da Edigma. O doutorado em “Marketing e Novas Tecnologias” não tem dúvidas que essa pode ser a visão a seguir, ter a capacidade de uma resposta rápida aos problemas com soluções sustentadas. Miguel Oliveira defendeu que os pilares que deram origem à sua empresa, com as devidas adaptações, se aplicam à vila que comemora os seus 75 anos: a ligação à Universidade do Minho, o contínuo investimento na investigação e desenvolvimento e uma forte abertura ao mundo, através do seu posicionamento nos mercados internacionais.
Miguel Oliveira defendeu que a posição estratégica da vila entre Guimarães e Braga e a proximidade a uma das melhores universidades de Portugal são fatores que os taipense têm de potenciar, bem como aproveitar o “segundo rio que passa na vila que é o caso do Avepark”. Defendeu a criação de um plano de intervenção para esta região num espaço temporal que poderia ir até aos 15 anos.

Joaquim Miguel Oliveira, atual membro do Laboratório Associado ICVS/3B’s da Universidade do Minho, na sua intervenção inicial relatou a experiência que foi vivida pelo grupo 3B´s até ao momento. A necessidade de ser diferente dos outros levou o grupo a colocar os seus investigadores nos melhores centros de investigação do mundo e a trabalhar com os melhores. Com essa base, partiu para a diversificação de produtos e a começar numa área diferenciadora e inovadora que foi aproveitar os produtos que o mar proporciona. Este caminho levou a que o 3B´s se afirmasse no plano nacional e internacional que se traduz, por exemplo, em que para cada euro conseguido de apoios nacionais consiga obter seis a nível internacional.
Não deixou de abordar o Avepark, onde o 3B´s está inserido, afirmando que este parque de ciência e tecnologia precisa de uma forte liderança e de uma estrutura profissionalizada, que o coloque a trabalhar com os melhores, pois, como acrescentou, ninguém estará interessado em investir num parque isolado. Concluiu esta sua primeira intervenção afirmando a necessidade de a vila apostar na competição mas privilegiando a cooperação e que com essa união de esforços se poderá projetar Caldas das Taipas para os próximos quinze anos.

INTERVENÇÃO DO PÚBLICO
Ângelo Freitas, Manuel Ribeiro e Dalila Durães foram os três primeiros elementos do público a participarem no debate promovido pela Comissão das Comemorações de elevação dos 75 anos de elevação a vila de Caldas das Taipas. A questão das Start-up aplicada às Taipas, as relações entre Câmara e Junta de Freguesia e o “isolamento” do Avepark em relação ao meio envolvente foram colocadas em cima da mesa. De destacar, relativamente à questão política, a resposta de Miguel Oliveira (Edigma) quando afirmou que “nunca se deve gastar energias em algo que não é importante” e que “ninguém deve estar de costas voltadas”.

Numa segunda ronda, Luís Soares questionou se a vila ainda iria a tempo de recuperar a sua atratividade que teve em tempos; Domingos Maia questionou o papel da tecnologia na renovação da indústria da cutelaria, Joaquim Oliveira salientou as dificuldades existentes na vila quando se fala em “cooperação”, acrescentando que os taipenses se desgastam muito naquilo que não interessa e Pedro Martinho salientou a coragem de se trazer os problemas do Avepark para o debate e deixou no ar a questão se o futuro das Taipas não terá como principal problema os próprios taipenses. Miguel Oliveira (3B´s) reforçou a ideia que a vila precisa de apostar na competição mas privilegiando a cooperação. Por sua vez, o seu homónimo referiu-se à grande oportunidade perdida pelas Taipas aquando da CEC 2012 e que tal não poderá voltar a acontecer com a Capital Verde Europeia.

Numa última ronda, Carlos Marques referiu-se à extrema dependência da Junta de Freguesia face à Câmara Municipal, dizendo que a vila é credora dos impostos municipais e que existem taipenses que têm de fazer a diferença, referindo-se concretamente a Ricardo Costa, atual vereador da Câmara Municipal, também presente no debate. Numa intervenção, o próprio Ricardo Costa defendeu que as Taipas também deveria ser vista como uma “cidade inteligente”, defendendo a definição de um plano estratégico de desenvolvimento urbano sustentável para a vila. Paula Saraiva defendeu uma maior abertura do Avepark para a região onde se insere. Jorge Ribeiro defendeu que é muito difícil unir os taipenses e, por último, numa segunda intervenção, Manuel Ribeiro questionou diretamente os convidados sobre as áreas que incluiriam num eventual plano de desenvolvimento para as Taipas. Miguel Oliveira (3b´s) destacou, entre outros aspetos, a recuperação do rio com todas as potencialidades subjacentes e o aproveitamento das águas termais. Miguel Oliveira (Edigma), para além das propostas já referidas, salientou a aposta na sociedade do conhecimento e que todos os taipenses deveriam ser um embaixador das Taipas.

Na última questão, colocada a Miguel Oliveira (3B´s), sobre a necessidade da via de ligação entre o Avepark e a autoestrada, este não tem dúvidas quanto à sua urgente concretização, acrescentando que, não sendo o único problema, pelo menos seria mais um ultrapassado.

Este foi o primeiro de três debates que a organização das comemorações dos 75 de elevação a vila, promoverá ao longo de 2015. Alfredo Oliveira, diretor do jornal Reflexo, foi o moderador deste primeiro encontro.

Foto: João Pedro