Ofensa e desagravo
Quarta-feira, Setembro 12, 2012

Quando a Segurança Social de Braga decidiu desfazer-se da creche de Pevidém, ergueu-se um coro de protestos porque a creche é economicamente viável, pelo que só razões ideológicas justificam aquela decisão.

Longe vão os tempos em que a direita mais reaccionária justificava os ímpetos privatizadores de tudo o que estava nas mãos do Estado com o argumento, aliás falacioso, de que o Estado geria mal, acumulando prejuízos que saíam caros aos cidadãos que os suportariam através dos impostos.

Agora, quando nas mãos do Estado só estão empresas rentáveis e de viabilidade acima de qualquer dúvida, o Governo de ocasião não se perde em pormenores e, pela via dos factos, oferece aos privados o que resta do sector empresarial público, passando por cima de pruridos, indiferente aos que lhe apontam falta de coerência, surdo relativamente aos dissidentes da coligação governamental que lhe apontam a divergência com o programa apresentado ao eleitorado.

A desfaçatez é tamanha que leva à pouca vergonha de avançar com propostas descaradas a ver se pegam, assim como quem lança o barro à parede a ver se cola. Não, não estou a pensar no vergonhoso processo da RTP, dado a conhecer por um subalterno quando o directo responsável ia a caminho de Timor-leste, reservando-se das reacções e observando de longe os estragos da intenção bandalha.

Refiro-me ao processo da creche de Pevidém, que sem outro motivo que não seja a cegueira ideológica contra tudo que é público e a pressa de untar as mãos aos amigos e correligionários, para alimentar fidelidades caninas.

A entrega da creche a uma instituição de fora do concelho de Guimarães quando no concelho existem instituições idóneas, competentes e com provas dadas, a Segurança Social de Braga ofendeu Guimarães, ofendeu as instituições de Guimarães.

Uma ofensa exige desagravo não se basta com silêncios ruidosos e muito menos com explicações inconsistentes e atabalhoadas.