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O exemplo tem que vir de cima
Sexta-feira, Março 12, 2010

Quem vive, por necessidade, de oficio ou de outras, permanentemente em zonas urbanas, fica saturado do movimento de pessoas, automóveis e de edifícios; fica ainda farto de prédios cuja altura nos tapam as vistas e de um raio de sol; fica ainda empanturrado do ruído urbano. Por isso, abomina a urbe indiferenciada.

A construção de edifícios com linhas arquitectónicas de mau gosto à sensibilidade de um homem médio; o afunilamento das nossas ruas; a variedade de cores de tijoleiras e azulejos de fachada que mais se assemelham a um borrão, um horizonte com excesso de betão dizem quão destroçada está a nossa paisagem urbana. Tudo construído em nome do progresso, do crescimento e até, imagine-se, do desenvolvimento como se, até parecesse estranho, os esgotos produzidos não fossem lavar o rio de porcaria.

É assim de norte a sul do país. As imagens de “marca”da Amadora e de Albufeira poderiam muito bem ser um cartão de visita de muitas ilustres cidades deste país.

As Taipas não foge do “tom”. Está, até, muito afinadinha. Na mesma rua coexistem, passivamente, fachadas de cor brancas, de amarelo torrado, castanhas e outras sem cor ou de cor suja; as ruas são estreitas para a densidade da construção; os automóveis têm que estacionar em segunda linha; os cruzamentos e entroncamentos ainda são mais exíguos; o transito é caótico nas horas de entrada e saída das escolas; as árvores diminuem os passeios e entram pelas janelas dentro.

Se isso não bastasse – a pressão e a fúria construtiva dos particulares – eis que aparece uma entidade pública que aprofunda os problemas de ordenamento urbano das Taipas.

A euforia e o regozijo natural justificado pela construção de uma “nova escola secundária” poderia permanecer por mais tempo não fosse a volumetria do que está a aparecer: betão+betão.

Não regozijo com o que estou a ver, nem eu nem ninguém, suponho, de normal sensibilidade. Se são incontestáveis as vantagens na requalificação da escola, sobretudo no que diz respeito à parte pedagógica, parece-me que a estrutura construída, no que diz respeito à adequada ocupação do espaço, não faz jus à natureza do projecto. Então, a localização do pavilhão desmerece a escola; ofende ainda mais o (de)ordenamento urbano das Taipas; aniquila uma rua.

Era de evitar o que está a ser feito. O pavilhão tinha espaço noutro lugar da escola. Afinal, de 14 milhões de euros teria de haver forma para afectar uns tostões à “expropriação” de algum terreno para ordenar urbanamente aquela escola.

O exemplo tem que vir do estado. Quando o estado não dá o exemplo…não se pode pedir moralidade.