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O exemplo como sinal distintivo na política
Sábado, Junho 4, 2011

Quem frequentou o serviço militar obrigatório, estranha esta ideia para os mais novos, apreendeu conceitos rigorosos de hierarquia e disciplina. Na hierarquia, para os mais variados assuntos, o conceito de comandante era de presença constante: de secção, pelotão, companhia, etc. Na medida em que, num cenário de guerra, o comandante poderia mudar a qualquer momento, por impossibilidade de manter as funções, as noções de liderança eram partilhadas por todos os membros do grupo operacional. A noção mais concreta e com mais significado transmitida era a liderança pelo exemplo: o líder que quer obter, manter e consolidar a confiança dos seus comandados, tem que ser um exemplo de coerência e de valor. O líder sabe fazer, faz e manda fazer. O líder é o exemplo a seguir. Dar o exemplo – ideia fortíssima da sociedade tradicional portuguesa – é a matriz da coesão do grupo. Perde credibilidade, respeito e lealdade, o comandante que manda fazer mas não o faz ele próprio. É sinal que não acredita no que ele próprio diz.

Aproximam-se eleições legislativas, as mais importantes desde o 25 de Abril – antes dessa data não eram eleições livres.

Há dois partidos, quer se queira quer não, que disputam a liderança dos destinos de Portugal num momento histórico de uma delicadeza extrema – as medidas negociadas com os credores são para implementar obrigatoriamente seja por quem for governo e não adiante dizer outra coisa.

A liderança do PS, toda a gente a conhece: um homem e um deserto (partido). Deserto de ideias, de iniciativa, de diversidade, de oposição interna e de conteúdo ético. Um homem que diz que não governa com o FMI. Ora, o FMI aí está e o homem é candidato a 1.º ministro. Um homem que é apanhado em escutas; que muda de número de telemóvel para não ser apanhado a falar com suspeitos – caso das sucatas; um homem que alardeia defender o estado social e fecha hospitais, centros de saúde, escolas, reduz ao abono de família depois de o aumentar; reduz à comparticipação nos medicamentos depois de a aumentar; reduz aos salários públicos depois de os aumentar; não pode ser 1.º ministro num país que se quer sério.

Do outro lado, temos um homem que foi deputado há muitos anos; tinha direito à reforma vitalícia!!!! pelos anos que ocupou o cargo de deputado e renunciou a ela. E não foi agora que renunciou à reforma depois de se candidatar a 1.º ministro. Foi muito antes de sonhar ser 1.º ministro.

Sócrates, o grande defensor da escola pública, tem os seus filhos a estudar em escolas privadas e, por sinal, das mais caras do país – ainda se diz socialista. Disse Margaret Tatcher: o socialismo dura enquanto durar o dinheiro dos outros e acaba quando acabar o dinheiro dos outros.

Passos Coelho é um homem humilde, “um africanista de Massamá”, como injuriosamente lhe chamaram alguns responsáveis do PS, trabalhador, dedicado, cujos filhos frequentam e frequentaram a escola pública.

É! realmente, necessitámos na governação de pessoas humildes, que dêem valor a quem trabalha, a quem tem e toma iniciativa, a quem investe e a quem corre riscos, para cessarmos o fado de empobrecimento duradouro cuja responsabilidade é dos governos socialistas que nos desgovernaram nos últimos 15 anos.

Também é pelo exemplo e principalmente pelo exemplo, com incidência nas acções de grande conteúdo ético, que se constroem líderes e o futuro de uma nação.

Seria bom para todos que os portugueses atentassem nisso.