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O elo mais fraco
Segunda-feira, Maio 31, 2004

No rescaldo das entrevistas efectuadas aos actuais membros da Junta de Freguesia, ressalta a posição minoritária, enfraquecida e isolada, de Armando Abreu, se quisermos, o “elo mais fraco” da Junta, apesar de todos os intervenientes, de uma forma geral, acenarem com a bandeira das “aprovações por unanimidade”.

Como explicar esta posição enfraquecida, no actual contexto da Junta?

Constantino Veiga diz ser natural pelas semelhanças nas ideologias políticas com o presidente, que tende para a esquerda do espectro político.

Remísio Castro refere haver uma maior sintonia com o tesoureiro, pela proximidade de mentalidades e personalidades.

O secretário da Junta, Armando Abreu, estará nesta situação, fruto da descoordenação da UT, força política que apareceu como uma esperança de mudança nas últimas eleições autárquicas, mas que não passou de boas intenções, remando cada um dos seus membros em direcções diferentes. A UT é, indiscutivelmente, uma força política desmembrada. Outro aspecto que poderá estar a condicionar a posição de Armando Abreu é o seu trajecto, em rota de colisão com a concelhia do PSD, ainda por cima com a passagem fugaz pelo Governo Civil.

Mas se Armando Abreu estará diminuído para futuras eleições, os restantes membros da UT, sobretudo os que têm assento na assembleia de freguesia, também não poderão sorrir com esta situação, pois a continuar esta descoordenação na UT, esta força política poderá tornar-se num cemitério de “promessas” na política local.

Outro assunto interessante que foi abordado nestas três entrevistas, foi a actual relação entre a Junta e a Câmara.

Constantino Veiga defende que mudou, mas com a CDU no poder seria diferente. Armando Abreu diz que esta mudança do poder socialista para uma Junta tripartida deu origem a uma nova dinâmica. Por sua vez, Remísio Castro tenta demonstrar que tudo está na mesma e até se regozija por se comprovar, no seu entender, que afinal tanto com as Juntas socialistas de maioria absoluta ou a actual tripartida, nada mudou na relação com a Câmara.

Em relação a este assunto, ficam duas questões para reflexão. Quem é o principal elo de ligação entre a Junta e a Câmara que, por sinal, continua a ocupar a mesma posição na actual Junta? Para confirmar a conclusão de Remísio de Castro, não faltará experimentar mais uma mudança no actual xadrez?

Por último, Cândido Capela mereceu destaque por parte dos três entrevistados.

Mais uma vez Remísio Castro e Constantino Veiga tendem para o mesmo lado, embora por motivos distintos. Armando Abreu lança algumas farpas ao deputado da CDU, pela forma “fulgurante” como interpelou a gestão da Taipas-Turitermas, desvanecendo se, na sua opinião, rapidamente essa atitude.

É legítimo perguntar se este eventual esmorecer significa que Cândido Capela se prepara para novos voos, ou será que temos homem para novos confrontos políticos nas Taipas, conforme tanto apela o seu camarada Constantino Veiga?

Esta dúvida não será despropositada tendo em conta que estamos a cerca de ano e meio do próximo acto eleitoral autárquico e seria interessante que Cândido Capela esclarecesse os Taipenses, para que continue a dormir “o sono dos justos”.

jcunha@reflexodigital.com

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