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O elefante na sala
Sexta-feira, Julho 22, 2016

Existem assuntos que são demasiado importantes para os ignorarmos. Há temas sobre os quais temos necessariamente que ter uma opinião formada e conhecedora. A Pensão Vilas é, infelizmente para os taipenses, um desses temas.

E é assim porque se transformou num negócio absolutamente ruinoso para a junta de freguesia com prejuízos inerentes para a vila e para os taipenses.

A disputa política faz-se de diferentes convicções, de formas distintas de ver a sociedade, muitas vezes antagónicas e divergentes. Faz-se também de formas de estar e de postura. Contribuindo de forma decisiva para a desconstrução da ideia de que “são todos iguais”. Na dialética política ouvimos muitas vezes discursos contraditórios e narrativas opostas.

Há contudo no debate político algo que não é suscetível de maleabilidade e de interpretação subjetiva – a realidade.

A realidade é o que é, e não há volta a dar a isso. Há factos que são inegáveis e por muito que os tentem rebater isso não é possível: são factos!

O facto de desde 2009 estarmos à espera de um desfecho para o negócio da Pensão Vilas;

o facto de, promessa falhada após promessa falhada a junta de freguesia ser incapaz de encontrar uma solução para o que o problema que criou;

o facto de após 7 anos (!) termos um edifício absolutamente em ruínas e com nenhuma perspetiva de recuperação;
o facto de, todos os meses a junta gastar 3 mil euros nesse edifício em ruínas;

e facto de neste processo todos os taipenses terem sido enganados.

São isso mesmo: factos.

E por muito que os tentem apresentar de forma relativa ou ficcionada eles estão aí para toda gente os ver e são impossíveis de desmentir.

Discussão igualmente importante, e aqui marcadamente subjetiva, é a ter é a de saber a quem deve ser imputada a responsabilidade destes factos. E é fundamental imputar estes factos a alguém pelo simples motivo de não continuarmos a ser enganados.

Já diz o ditado “a culpa não pode morrer solteira”, e de facto não morre. A culpa é daqueles que ao longo destes 7 anos insistiram num negócio que sabiam ruinoso. A culpa é daqueles que de forma sibilina conduziram este processo desastroso, a espaços com contornos moral e legalmente questionáveis. A culpa é daqueles que, no lugar de encontrar soluções adensaram problemas A culpa é daqueles que, por interesses e dividendos políticos mentiram deliberadamente aos taipenses.

Sete anos volvidos não temos Lar de Idosos, não temos edifício recuperado, não temos os 250 000 € que foram gastos no edifício, não temos aquilo que esses 250.000€ podiam fazer pela vila, não temos soluções e não temos credibilidade.

O que temos de ter é a vontade de em 2017 devolver à vila o prestígio que ela merece.

Recupero aqui uma frase que foi usada aqui há uns anos precisamente a propósito deste tema e que se mantém assustadoramente atual: “Será que foi de propósito ou é mesmo incompetência?”

Deputado municipal eleito pelo Partido Socialista