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O dever redobrado de oposição
Terça-feira, Dezembro 6, 2011

Em Agosto passado, com título “O Dever de Oposição”, fui dando conta da necessidade de contarmos com o Partido Socialista para uma oposição responsável, perante as ameaças que, já na altura, se vinham desenhando no horizonte e que, pensávamos, recairiam maioritariamente sobre os mais débeis. Sentia-se a necessidade desta atenção da oposição porquanto, referia eu então, “se o acordo com as instituições internacionais (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) apontava para um nível de austeridade que fazia adivinhar consequências graves para a vida dos cidadãos, em ambiente recessivo, a coligação PSD e CDS/PP vem, no mínimo, multiplicando por dois tais intenções”.

O que se vinha constatando há três meses, acaba de se confirmar no Orçamento de Estado para 2012.

As injustiças e falta de equidade na repartição dos esforços são uma realidade que, apesar de alguns tentarem encontrar argumentos favoráveis, não têm justificação convincente, sendo cada vez mais as vozes que o confirmam, incluindo o Sr. Presidente da República.

O estado “envergonhado” em que se encontra o Partido Socialista é decepcionante. O facto de ter subscrito o acordo não pode ser constrangimento para dizer não, quando é preciso dizer não, em vez de um tímido “NIM”.

A abstenção só se entende neste contexto desconfortável em que o Partido Socialista se vem deixando cair, sem grande convicção, parecendo carregar o fardo de um passado recente a que muitos tentam atribuir a origem de todos os males. Cá estaremos, então, para ver e sofrer o que de bom o futuro nos reserva.

Se em Agosto falava de “Dever de Oposição”, hoje tenho que dizer que este dever tem que ser redobrado.