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O dever de oposição
Terça-feira, Setembro 13, 2011

A eleição de António José Seguro como secretário-geral do Partido Socialista, em finais de Julho passado, correspondeu à oportunidade para que o PS venha a exercer o seu dever de oposição, sempre afirmada como construtiva.

O apoio explícito que o Congresso daquele partido tinha manifestado a José Sócrates, com números que rondaram a unanimidade só quebrada por algumas vozes discordantes, tímidas e a altas horas da madrugada, poderia fazer prever uma vitória de quem apresentasse candidatura à liderança, de alguma forma, na linha de continuidade do líder, candidatura que veio a ser assumida por Francisco Assis.

Não foi isto que veio a acontecer, de facto.

António José Seguro vinha, discretamente, preparando a sua oportunidade, apoiado nas lideranças intermédias do partido e, uma vez eleito, poderá agora, a meu ver, assumir uma oposição, firme e descomprometida, perante as políticas que se vêm desenhando no horizonte do país e do dia a dia dos portugueses.

É que, se o acordo com as instituições internacionais (União Europeia, BCE e FMI) apontava para um nível de austeridade que fazia adivinhar consequências graves para a vida dos cidadãos, em ambiente económico recessivo, a coligação PSD e CDS/PP vem, no mínimo, multiplicando por dois tais intenções.
Neste contexto, se não desejamos o confronto e a agitação social, que nunca foram bons conselheiros, entendo, por outro lado, que a passividade e a anemia social são ingredientes suficientes para a perda de direitos sociais e para o agravamento das injustiças, com tendência para recair, recorrentemente, sobre os mais fracos e os trabalhadores.

É aqui que a Democracia Representativa terá que se fazer sentir, exigindo-se dos nossos representantes na Assembleia da República o esforço necessário para construir as pontes, mas também para encontrar os pontos de ruptura, na busca da repartição justa dos esforços que todos somos chamados a fazer.