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O copianço, uma velha forma de trapaça…
Quinta-feira, Abril 7, 2011

Nunca consegui copiar, por isso sempre admirei quem o conseguia fazer. Não que seja partidária da trapaça ou do jogo sujo, que não sou, mas pelo risco e pela adrenalina que fazia correr. Ter um zero há quarentas anos tinha consequências bem diferentes de um zero dos tempos de hoje. Presumia-se que o percurso escolar tinha de ser limpo e a performance boa para se singrar no mundo do trabalho e ter uma carreira melhor.

O copianço era a forma como alguns, avessos ao estudo ou com menos capacidades cognitivas, se abalançavam ao tal sucesso. Os que copiavam acabavam por ter uma auréola de heróis, até porque, num tempo em que os regulamentos e as regras imperavam e ninguém pensava sequer em contradizê-los ou em negá-los, a quebra da norma era olhada com admiração e prova de apreço. Hoje, sendo educadora, talvez me fique mal dizê-lo, continuo a sentir um certo fascínio pelos que copiam “com arte”. É que “copiar” exige arte e é aí que os garotos de hoje falham. Não há criatividade. Acham que basta fazer do professor parvo, abrir o livro ou o caderno e copiar ou então utilizar o telemóvel. Este tipo de copianço não o admito. Não há inteligência e muito menos estudo. Saber copiar exige estudo. Antigamente, faziam-se autênticas maravilhas para se poderem ter as fórmulas, as definições, as datas,… ao alcance da mão e de um rápido lançar de olhos.

Há uns anos, adoptei fazer testes de consulta, e há mais quem faça, o melhor método de estudo que encontrei até hoje. Sem se darem conta, os alunos estudam muito mais do que para um teste normal, na ânsia de localizarem rapidamente nos livros, cadernos, fichas, apontamentos todos os conteúdos leccionados. Isso é que era estudar, porque, quem apenas levava o material sem para ele olhar, não fazia nada. Sei que não estou sozinha quando afirmo que o que se copia nunca mais se esquece. Sob stress, a mente fixa, capta o conhecimento.

É claro que não se deve copiar. Mais vale estudar e ir descansado/a para o teste do que sentir-se sobre uma cama de pregos sem saber se se vai espetar ou se vai conseguir fazer como o faquir e escapar ileso, porque aprendeu o truque. E, se o copianço resultou bem da primeira vez, não quer dizer que corra bem da segunda. E também não quer dizer que todos os professores tenham o mesmo jogo de cintura. Nunca precisei dos testes sumativos para aquilatar dos conhecimentos dos meus alunos. Uso outras formas de avaliação às quais dou preferência e os meus alunos trabalham… trabalham… trabalham… Não há qualquer tipo de facultatividade nas tarefas que marco. Mas sei de colegas que não admitem que um aluno copie e são implacáveis. Acham esse acto uma ofensa pessoal e não um sinal de ignorância de quem procura esclarecer-se. É claro que também são esses os que, frequentemente, são mais enganados. E, se formos lá muito atrás e viajarmos no tempo, talvez vejamos o professor y, o tal implacável, a copiar para a disciplina x ou z.

Os testes têm o valor que têm, nem mais nem menos, e o mesmo se passa com os exames. Não temos de os “endeusar”. Não é o que o aluno faz durante uma hora que define o seu valor e nos dá a conhecer os seus conhecimentos. Há tantas contingências internas ao aluno e até externas que podem levar ao sucesso ou ao fracasso! Para mim, o que o deverá definir será o trabalho produzido ao longo de um ano ou ciclo.

Mas, ao longo da vida, todo o indivíduo terá de prestar contas, de fazer “exames” para subir de categoria, para concorrer a um emprego, por isso, é melhor ir treinando e sem fazer trapaça, que não lhe vai servir para nada na vida futura. Ou servirá? Aldrabices a outro nível, que, pelos vistos, abundam. A velha “cunha”, que agora veste umas roupagens diferentes, sempre existiu e continua a existir e a resistir a todos os ataques. E, ultimamente, a corrupção às claras e às escuras. Mas…fiquemos por aqui, que isso é outra conversa!