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O bom fantasma
Quarta-feira, Janeiro 5, 2011

Olá Reflexo. Não querendo alongar nos agradecimentos ao convite, inicio esta sessão na retrospectiva do que foi, para mim, o álbum do ano transacto. Sem rodeios, o rock está vivo nas suas demais variantes e eu aprecio, ponto final.

É certo que já há muito saíram as listas dos melhores álbuns nas mais variadas revistas musicais. Nelas podemos encontrar boa música, aliás foi um ano muito positivo com claro destaque para o desejado regresso dos Arcade Fire. The Suburbs poderia muito bem ser o cerne deste artigo, mas não o é por uma simples razão. O clímax da música, no meu ponto de vista, é a capacidade de alteração psíquica no indivíduo. Sim, a música é uma droga bué da boa mano.

O manual de instruções

Após Alligator e Boxer, os The National apresentaram High Violet. As repetições constantes deste registo no meu ouvido proporcionaram-me, por diversas vezes, diferentes reacções no estado de espírito. Consegui ouvir nos momentos de borga, na tentativa de partir as janelas do carro como nos momentos de reflexão em que as lágrimas caem sem as controlarmos.

Para os amantes de L. Cohen, High Violet representa a actualidade com o potencial literário que conhecemos do mestre. Sendo fã das teorias da conspiração acredito que este álbum é uma mensagem à passagem de um amor. Desde o seu terrível acontecimento, passando pela obsessão; a desculpa; o sentirmos a mais; o medo de voltar a sofrer; a depressão; a revolta; a nova descoberta; a eterna verdade; até ao, agora já é tarde meu bem.

The National tem essência, harmonia e paixão. Pelo meio encontramos frases que nos acompanharão talvez para sempre, caso não dermos boleia à insanidade. Entre elas, “Não quero ser o fantasma de ninguém”, “Não tenho as drogas para resolver isto”, “Não serei um fugitivo”, “Sou um mentiroso confiante”; Tenho um particular gosto por esta última, não fosse também um.

Estas passagens fazem ainda mais sentido no contexto em que estão inseridas, aliadas à beleza dos violinos, do piano, da harmonia melódica e da voz carregada de verdade.

Este manual de libertação é de mensagem absorvida por homens de barba rija ou não. Mas gosto de pensar que é.

Com lotação quase esgotada para o Coliseu do Porto dia 23 de Maio, talvez ainda haja tempo para dizer como foi.