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Obesidade Infantil – Um problema alarmante!
Quarta-feira, Janeiro 5, 2011

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Obesidade é uma doença em que existe excesso de gordura corporal acumulada, capaz de provocar problemas de saúde. Esse excesso de gordura resulta de sucessivos balanços energéticos positivos, o que significa que a quantidade de energia ingerida é superior à quantidade de energia gasta.

A Obesidade é uma doença crónica, representando, nos nossos dias, um dos grandes problemas de saúde pública nos países industrializados. Devido à sua elevada prevalência a nível mundial, a OMS já considerou esta doença como a epidemia global do século XXI.

Na Europa, a prevalência de Obesidade triplicou nas últimas duas décadas, sendo este um dado particularmente alarmante. Se não se intervir já e se deixar continuar este problema de saúde a evoluir, estima-se que em 2010, na Europa, 15 milhões de crianças e adolescentes serão obesos. Portugal, foi considerado pela OMS, em 2006, como o país com maior prevalência de Excesso de Peso / Obesidade entre os 7 e os 9 anos, com uma prevalência de 32%. Na faixa dos 13 anos de idade foi considerado o quinto com maior prevalência de Excesso de Peso.

A Obesidade tem graves consequências para a saúde física e mental da criança. Aumenta, em grande escala, o risco de aparecimento de Diabetes, Hipertensão Arterial, níveis de colesterol elevado, puberdade precoce, problemas nos ossos e articulações, problemas respiratórios e psicológicos. Provoca, como é óbvio, a existência de obesidade na idade adulta, o que acarretará risco aumentado de doenças cardiovasculares (enfartes agudos do miocárdio, tromboses cerebrais, má circulação, etc) em idades mais novas. O desenvolvimento psicológico e social da criança/adolescente é gravemente afectado, associando-se distúrbios psicológicos como a diminuição da auto-estima, isolamento social e diminuição da participação em actividades colectivas. A Obesidade é também considerada a segunda causa de morte passível de prevenção.

Vários estudos têm mencionado possíveis factores de risco para a Obesidade Infantil tais como: o excessivo peso ao nascer, a existência de pais obesos, o tipo de estrutura familiar (filho único/adoptado, famílias com um único progenitor ou famílias numerosas), o baixo nível socioeconómico, a pratica de uma alimentação excessiva e muito calórica, e a falta de actividade física.

Preocupados com este importante problema, o autor e a Dra. Raquel Castro realizaram um trabalho com a comunidade infantil da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Ronfe de forma a determinar a sua verdadeira dimensão. Foram estudadas as crianças entre os 5 e os 13 anos que são seguidas nas consultas de Saúde Infantil desta USF, tendo sido incluídas no estudo 1024 crianças.

Terminado o estudo, obtiveram-se resultados alarmantes!!! A prevalência de Excesso de Peso e Obesidade rondava os 42,5%, um valor acima da prevalência nacional. Quando estudaram mais aprofundadamente verificaram que a maior prevalência se verificou nos grupos etários mais novos: na consulta dos 5-6 anos a prevalência rondava os 53,3%, seguida pela dos 8 anos com 40,2% e a dos 11-13 com 31,7%. Mais preocupante ainda é que na consulta dos 5-6 anos a obesidade rondava os 21,7%, ou seja, em cada 10 crianças pelos menos duas são obesas.

De forma a tentar compreender algumas causas para uma prevalência tão elevada, decidiram estudar se havia alguma relação com o Índice de Massa Corporal (IMC – índice que relaciona o peso e a altura) dos pais. Concluiu-se que em cada 10 crianças, 6 a 7 têm pelo menos um progenitor com Excesso de Peso ou Obesidade. Quando pelo menos um dos progenitores apresentava Excesso de Peso, 52,5% das crianças também o tinham e quando ambos os pais tinham IMC normal, uma larga maioria destas crianças também tinham IMC aumentada. A prevalência de Excesso de Peso entre as crianças aumentava ainda mais quando ambos os progenitores apresentavam IMC aumentado. Ficou assim demonstrada uma relação entre crianças com excesso de peso ou obesas e pais com excesso de peso.

Estes resultados demonstram a urgência de intervenção na população, não só directamente sobre as crianças, mas também sobre o meio familiar e social envolvente. Esta intervenção, como se verifica nos resultados, deve começar o mais cedo possível, desde o momento do nascimento. É importante que a sociedade acorde para esta problemática, e que os pais sejam cada vez mais responsabilizados pelo actual problema, passando a ter um papel activo no seu tratamento e prevenção. É essencial mudar comportamentos, atitudes e ideais culturais relacionados com os estados nutricionais.

Uma criança fofinha normalmente é uma criança gordinha e estas, estão longe de ser crianças saudáveis…