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O asfalto e o desenvolvimento sustentável
Quinta-feira, Fevereiro 25, 2016

O desenvolvimento sustentável é “o desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e económico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais”. É esta a definição mais usada e a que integra o relatório Brundtland de 1987.

O conceito de desenvolvimento sustentável tem três décadas e os seus princípios orientadores têm vindo a ganhar preponderância no delinear de políticas e estratégias globais e locais. Desde a Cimeira da Terra, em 1992, que a Agenda 21 Local tem sido o instrumento de gestão para a sustentabilidade local. Esta agenda é um processo contínuo, que procura envolver todos os atores locais, cidadãos e governantes, no estabelecimento de objetivos e ações que visem o desenvolvimento sustentável.

Em Guimarães, e no âmbito de um projeto financiado pelo Eixo Atlântico, houve uma tentativa de implementar a Agenda 21 Local que, no entanto, não foi concluída, estando parada desde 2005.

Toda esta introdução vem a propósito da reflexão que me invadiu o pensamento, e que quero deixar como desafio:
Nestas três últimas décadas, o que foi feito em Guimarães para o desenvolvimento sustentável do nosso território? E o que estamos a fazer?

Esta reflexão surgiu-me com a notícia de que três dos quatro milhões de euros da receita extraordinária, obtida com a venda da participação social na Águas do Norte SA, serão investidos nas grandes reparações em vias municipais.

Esse valor acresce aos dois milhões já inscritos no orçamento para 2016, que somados aos três milhões para reparar a VIM, e aos dois milhões para “melhorar a fluidez” entre as Hortas e o Campo da Feira, perfaz um custo de 65 euros por vimaranense para investir este ano em asfalto.

A manutenção das estradas municipais tem um custo anual que absorve boa parte da verba destinada a investimentos, condicionando autarquia e juntas nas suas obrigações constitucionais. Ainda assim, a criação de novas vias, como é o caso da ligação ao Avepark, continua a ser um objetivo do poder local.

Herdamos uma rede capilar de estradas municipais com custos económicos, ambientais e sociais insustentáveis que teremos de reverter, ao invés de persistir nesta política de investimento em asfalto.

Presidente da Direcção da AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia